HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Paciente de 48 anos, portadora de diabetes mellitus tipo 2 há 5 anos, obesa (IMC 34 kg/m²), em uso de metformina 2 g/dia e semaglutida há 3 meses, apresenta dor epigástrica súbita irradiada para dorso, acompanhada de náuseas e vômitos há 12 horas. Refere etilismo ocasional. Ao exame físico, apresenta PA: 104x70 mmHg, FC: 118 bpm, T: 38,2ºC, abdome com dor epigástrica, defesa moderada, sem icterícia. Exames complementares apresentam amilase sérica 1.200 U/L, lipase 1.850 U/L e tomografia de abdome com contraste: pancreatite intersticial sem necrose. Qual é a conduta inicial a partir de agora?
Pancreatite por GLP-1 → Suspender fármaco + Hidratação vigorosa + Analgesia + Jejum.
O manejo inicial da pancreatite aguda foca na estabilização hemodinâmica com cristaloides e controle sintomático, sendo imperativa a suspensão de gatilhos potenciais, como análogos de GLP-1.
A pancreatite aguda é uma complicação inflamatória que exige diagnóstico rápido baseado em dor abdominal típica e elevação de enzimas pancreáticas (amilase/lipase > 3x o normal). Em pacientes utilizando análogos de GLP-1, como a semaglutida, a vigilância deve ser redobrada. O tratamento padrão-ouro inicial é de suporte, priorizando a reposição volêmica agressiva para manter a perfusão pancreática e evitar a progressão para necrose. A nutrição deve ser reiniciada precocemente via oral assim que tolerada, preferindo-se a via enteral sobre a parenteral caso o jejum se prolongue.
Embora a associação causal direta seja debatida, diretrizes recomendam a suspensão de análogos de GLP-1 em vigência de pancreatite aguda devido ao risco potencial de agravamento ou recorrência do quadro inflamatório pancreático, uma vez que esses fármacos estão associados a relatos de eventos adversos pancreáticos em estudos pós-comercialização.
A hidratação deve ser feita preferencialmente com Ringer Lactato (250-500 ml/h inicialmente), visando manter débito urinário > 0,5 ml/kg/h e redução do hematócrito e da ureia, prevenindo a hemoconcentração e a progressão para necrose pancreática por hipoperfusão.
O uso de antibióticos não é indicado de forma profilática na pancreatite aguda, mesmo na forma necrotizante. Deve ser reservado para casos de necrose infectada comprovada (por punção ou gás na TC) ou suspeita clínica forte de infecção extrapancreática (colangite, ITU, pneumonia).
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