Pancreatite Aguda: Diagnóstico e Conduta Inicial no Pronto Socorro

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 50 anos, etilista e tabagista, dá entrada no pronto atendimento por dor abdominal intensa. Descreve dor abdominal em abdome superior, em faixa, com irradiação para o dorso. Queixa-se também de diversos episódios de vômitos. Realizou exames complementares que apresentaram amilase de 3000 e lipase de 2000. Sobre o quadro clínico exposto, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Trata-se de um quadro de pancreatite aguda e a conduta inicial mais adequada é NPO, hidratação parenteral e analgesia.
  2. B) Não é possível realizar o diagnóstico de pancreatite aguda antes da realização da tomografia abdominal.
  3. C) Não é possível realizar o diagnóstico de pancreatite aguda antes da realização de, ao menos, uma ecografia de abdome total.
  4. D) Trata-se de um quadro típico de pancreatite crônica.
  5. E) Trata-se de um quadro típico de colangite.

Pérola Clínica

Dor em faixa + Amilase/Lipase > 3x LSN = Pancreatite Aguda; conduta é NPO, hidratação e analgesia.

Resumo-Chave

O diagnóstico de pancreatite aguda é clínico-laboratorial, exigindo 2 de 3 critérios (dor típica, enzimas >3x ou imagem positiva). O manejo inicial foca em suporte clínico e repouso pancreático.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma das causas mais comuns de internação hospitalar por doenças gastrointestinais. A etiologia biliar e a alcoólica respondem pela maioria dos casos. A fisiopatologia envolve a ativação intrínseca de enzimas pancreáticas, levando à autodigestão do parênquima e uma resposta inflamatória sistêmica que pode variar de um quadro leve e autolimitado a uma falência multiorgânica grave. Na prática clínica e em provas de residência, o foco deve estar no reconhecimento precoce através dos critérios de Atlanta e na instituição imediata de ressuscitação volêmica. A diferenciação entre pancreatite leve, moderadamente grave (falência orgânica transitória < 48h) e grave (falência persistente) dita o prognóstico e a necessidade de terapia intensiva. O uso de antibióticos profiláticos não é recomendado, devendo ser reservado apenas para casos de necrose infectada comprovada.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pancreatite aguda?

De acordo com os critérios de Atlanta revisados, o diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos seguintes três critérios: 1. Dor abdominal sugestiva (início agudo, epigástrica, frequentemente irradiando para o dorso em faixa); 2. Atividade de amilase ou lipase sérica pelo menos três vezes superior ao limite superior da normalidade; 3. Achados característicos de pancreatite aguda em exames de imagem, como tomografia computadorizada com contraste, ressonância magnética ou ultrassonografia transabdominal. Se a dor e as enzimas alteradas estiverem presentes, a imagem inicial para diagnóstico é desnecessária.

Quando a tomografia de abdome deve ser solicitada na pancreatite?

A tomografia computadorizada (TC) de abdome com contraste não deve ser realizada rotineiramente na admissão para todos os pacientes. Ela está indicada em três situações principais: 1. Incerteza diagnóstica (quando os critérios clínicos e laboratoriais não são conclusivos); 2. Falha em apresentar melhora clínica após 48 a 72 horas de tratamento conservador inicial; 3. Suspeita de complicações locais, como necrose, coleções líquidas ou abscessos. Realizar a TC muito cedo (antes de 48h) pode subestimar a extensão da necrose pancreática, que leva tempo para se tornar radiologicamente visível.

Qual é o pilar do tratamento inicial da pancreatite aguda?

O tratamento inicial é eminentemente de suporte e baseia-se no tripé: hidratação venosa agressiva, analgesia e manejo nutricional. A hidratação precoce com soluções cristaloides (preferencialmente Ringer Lactato) é crucial para manter a perfusão pancreática e prevenir a progressão para necrose. A analgesia deve ser eficaz, muitas vezes necessitando de opioides. Quanto à nutrição, o jejum (NPO) é instituído inicialmente para 'descansar' o pâncreas, mas a realimentação oral deve ser iniciada assim que tolerada pelo paciente em casos leves, ou nutrição enteral precoce em casos graves.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo