Pancreatite Aguda: Diagnóstico Clínico e Laboratorial Essencial

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 62 anos de idade é admitida na unidade de emergência com quadro de dor em faixa localizada no andar superior do abdome há 2 dias, associada a náuseas e vômitos de aspecto bilioso. Nega febre, colúria, icterícia, acolia fecal. Têm história prévia de hipertensão arterial sistêmica, estando em uso de losartana 50mg, uma vez ao dia. Nega antecedentes cirúrgicos. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, eupneica, afebril, anictérica, normocorada e hidratada. O abdome é flácido, estando doloroso em epigástrio e hipocôndrio direito, com sinais de dor à descompressão brusca, Murphy e Giordano ausentes. Os exames laboratoriais iniciais demonstram: hemoglobina: 10,2g/dL; hematócrito: 33,4%; leucócitos totais: 8230/mm³; plaquetas: 228.000/mm³; ureia: 48mg/dL; creatinina: 0,6mg/dL; sódio: 139mEq/L; potássio: 4,5mEq/L; proteína C reativa: 11,8mg/dL; aspartato aminotransferase (AST/TGO): 15UI/L; alanina aminotransferase (ALT/TGP): 8UI/L; fosfatase alcalina: 99UI/L; gama glutamil transferase (GGT): 153UI/L; amilase: 750UI/L; lipase 480UI/L e bilirrubina total: 0,26mg/dL (indireta: 0,04mg/dL / direta: 0,22mg/dL). Qual é a causa da dor apresentada por esta paciente?

Alternativas

  1. A) Apendicite aguda
  2. B) Colecistite aguda
  3. C) Pancreatite aguda
  4. D) Coledocolitíase obstrutiva

Pérola Clínica

Dor epigástrica em faixa + náuseas/vômitos + amilase/lipase >3x LSN → Pancreatite aguda.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor epigástrica em faixa, náuseas e vômitos, associado a elevações significativas de amilase e lipase séricas (geralmente >3 vezes o limite superior da normalidade), é altamente sugestivo de pancreatite aguda. A ausência de icterícia e colúria afasta coledocolitíase obstrutiva como causa primária.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas. É uma condição comum na emergência, e seu diagnóstico precoce é crucial para o manejo adequado. As principais etiologias são a colelitíase e o consumo excessivo de álcool. O quadro clínico típico inclui dor abdominal superior intensa, frequentemente em faixa e irradiando para o dorso, associada a náuseas e vômitos. No caso apresentado, a paciente manifesta esses sintomas clássicos. Os exames laboratoriais são fundamentais para o diagnóstico, com elevações significativas da amilase e lipase séricas (geralmente três vezes o limite superior da normalidade). A lipase é considerada mais específica para o pâncreas e permanece elevada por mais tempo do que a amilase. O manejo inicial da pancreatite aguda envolve suporte hidroeletrolítico agressivo, analgesia e controle de náuseas. A identificação da etiologia é importante para o tratamento específico, como a colecistectomia em casos de pancreatite biliar. A ausência de icterícia, colúria e acolia fecal no caso sugere que não há obstrução biliar significativa, afastando a coledocolitíase obstrutiva como causa primária, e os níveis de enzimas hepáticas e bilirrubinas normais reforçam o diagnóstico de pancreatite aguda.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pancreatite aguda?

O diagnóstico de pancreatite aguda requer dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, em faixa, irradiando para o dorso), amilase ou lipase sérica >3 vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis (TC ou RM).

Qual a importância da amilase e lipase no diagnóstico da pancreatite?

Amilase e lipase são enzimas pancreáticas que se elevam na pancreatite aguda. A lipase é geralmente mais específica para o pâncreas e permanece elevada por mais tempo, sendo preferível para o diagnóstico, especialmente em casos de hipertrigliceridemia.

Quais são as principais causas da pancreatite aguda?

As causas mais comuns de pancreatite aguda são colelitíase (cálculos biliares) e etilismo. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, hipercalcemia, trauma abdominal, medicamentos e infecções virais.

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