SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026
Em relação às condutas terapêuticas em paciente internado por pancreatite aguda secundária à dislipidemia, assinale a alternativa correta:
Pancreatite aguda → Hidratação venosa precoce + Nutrição enteral assim que tolerada.
O pilar do tratamento inicial da pancreatite aguda é a reposição volêmica vigorosa para manter a perfusão pancreática e prevenir necrose, independente da etiologia.
A pancreatite aguda secundária à dislipidemia ocorre tipicamente quando os níveis de triglicerídeos ultrapassam 1000 mg/dL. O manejo clínico inicial segue as diretrizes gerais de suporte, com ênfase na ressuscitação volêmica guiada por metas (débito urinário, frequência cardíaca e redução do hematócrito). O uso de antibióticos profiláticos não é recomendado, mesmo em casos de necrose estéril ou leucocitose isolada; sua indicação restringe-se à suspeita ou confirmação de necrose infectada. O sinal de Gobiet (dilatação isolada do cólon transverso) é um achado radiológico de íleo localizado e não indica, por si só, intervenção cirúrgica. A cirurgia na pancreatite aguda é reservada para complicações tardias, como necrose infectada sintomática ou complicações mecânicas (obstrução biliar ou duodenal) que não podem ser resolvidas por via endoscópica ou percutânea.
A pancreatite aguda gera uma resposta inflamatória sistêmica intensa com grande sequestro de líquidos para o terceiro espaço. A hipovolemia resultante compromete a microcirculação pancreática, aumentando drasticamente o risco de necrose isquêmica e falência orgânica. A hidratação agressiva (preferencialmente com Ringer Lactato) nas primeiras 24-48 horas é a intervenção que mais reduz a morbimortalidade.
A tendência atual é a realimentação precoce. Em quadros leves, a dieta oral (baixa gordura) pode ser iniciada assim que o paciente tolerar (ausência de vômitos e redução da dor). Em quadros graves, a nutrição enteral é superior à parenteral por manter a integridade da barreira intestinal, reduzindo a translocação bacteriana e o risco de infecção da necrose.
Não. Os níveis de amilase e lipase não possuem correlação direta com a gravidade da doença nem com a resolução do processo inflamatório. A alta hospitalar deve ser baseada em critérios clínicos: tolerância à dieta oral, controle adequado da dor com analgésicos por via oral e estabilidade hemodinâmica.
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