AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2020
Puérpera, 32 anos, procura a emergência 3 semanas após parto normal, com quadro de icterícia e dor abdominal. Apresenta-se sonolenta, TA: 80/50 mmHg, FC: 135 bpm, FR: 29 rpm. Exames mostram Hb: 12,1 g/dL, Ht: 35,8%, leucócitos totais: 19650, bastões: 4%, sódio: 142 mEq/L, potássio: 4,8 mEq/L, glicose: 232 mg/dL, amilase: 3850 (até 200), lipase: 980 (até 140), TGO: 360 (até 40), TGP: 290 (até 45). Qual das alternativas abaixo NÃO faz parte dos critérios de gravidade da pancreatite?
Amilase/Lipase ↑ = Diagnóstico pancreatite, NÃO critério de gravidade.
Embora amilase e lipase elevadas sejam marcadores diagnósticos chave para pancreatite aguda, seus níveis absolutos não se correlacionam diretamente com a gravidade da doença. Critérios como Ranson ou APACHE II utilizam outros parâmetros para estratificação de risco.
A pancreatite aguda é uma inflamação súbita do pâncreas, que pode variar de leve a grave, com potencial de morbimortalidade significativa. Sua etiologia mais comum é biliar (cálculos) ou alcoólica, mas outras causas como hipertrigliceridemia, medicamentos e pós-CPRE também são relevantes. A apresentação clínica típica inclui dor abdominal intensa, náuseas e vômitos. O diagnóstico da pancreatite aguda baseia-se na presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação de amilase ou lipase sérica (pelo menos 3x o limite superior da normalidade) e achados característicos em exames de imagem. A avaliação da gravidade é crucial para o manejo, utilizando escores como os Critérios de Ranson, APACHE II, BISAP ou o escore de Marshall, que consideram parâmetros clínicos e laboratoriais. A amilase e a lipase são enzimas pancreáticas essenciais para o diagnóstico, mas seus níveis não são preditores de gravidade. Parâmetros como leucócitos, glicose, TGO, TGP (se etiologia biliar), idade e disfunção orgânica são mais relevantes para estratificar o risco de complicações e mortalidade. O tratamento envolve suporte intensivo, analgesia, hidratação e manejo das complicações.
Os critérios de gravidade para pancreatite aguda incluem parâmetros clínicos e laboratoriais, como idade > 55 anos, leucocitose (>16.000), hiperglicemia (>200 mg/dL), elevação de TGO/LDH, queda do hematócrito, hipocalcemia, hipoxemia e sequestro de fluidos, conforme os critérios de Ranson ou APACHE II.
A amilase, assim como a lipase, é um marcador diagnóstico importante para a pancreatite aguda, pois seus níveis se elevam significativamente. No entanto, a magnitude dessa elevação não se correlaciona diretamente com a gravidade da doença ou o prognóstico do paciente.
Sinais de alerta para pancreatite grave incluem instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), sonolência ou alteração do nível de consciência, taquipneia, icterícia progressiva, oligúria, e achados laboratoriais como leucocitose acentuada, hiperglicemia e disfunção hepática ou renal.
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