Diagnóstico e Manejo Inicial da Pancreatite Aguda

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2025

Enunciado

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória que envolve o pâncreas, podendo ter acometimento de tecido peripancreático associado ou não a acometimento de sistemas orgânicos, o que pode evoluir para a falência de um ou mais órgãos, em casos mais graves. Das afirmativas abaixo, assinale a CORRETA.

Alternativas

  1. A) A tomografia computadorizada de abdome é o primeiro exame de imagem solicitado no atendimento aos pacientes com suspeita de pancreatite aguda.
  2. B) Amilase e lipase são bons marcadores de diagnóstico de pancreatite aguda, e seus níveis, quando muito elevados, representam uma relação direta com a gravidade do quadro.
  3. C) A tomografia computadorizada (TC) e a Ressonância magnética de abdômen (RM) podem ser utilizadas para identificar complicações locais, mas não devem ser realizadas de maneira precoce com essa finalidade, pois os achados podem não estar ainda bem evidentes.
  4. D) A antibioticoterapia profilática deve ser instituída na pancreatite aguda, para diminuir os riscos de progressão do quadro e a translocação bacteriana.
  5. E) A hidratação venosa vigorosa, de preferência com soro fisiológico, segundo estudos mais recentes , é fundamental para melhorar a evolução da doença, devendo ser iniciada o mais precocemente possível, usando-se em torno de 2 a 3 litros nas primeiras horas de admissão do paciente na urgência.

Pérola Clínica

TC precoce (<48-72h) na pancreatite aguda subestima a gravidade e necrose.

Resumo-Chave

O diagnóstico da pancreatite aguda é clínico-laboratorial; exames de imagem precoces são reservados para dúvidas diagnósticas e não para avaliação prognóstica inicial.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma das principais causas de internação gastrointestinal. O diagnóstico requer dois de três critérios: dor abdominal típica, amilase/lipase >3x o normal e achados compatíveis em exames de imagem. A fisiopatologia envolve a ativação intrínseca de enzimas digestivas, levando à autodigestão e resposta inflamatória sistêmica. O manejo atual enfatiza a hidratação venosa parcimoniosa (evitando sobrecarga hídrica, conforme estudos como o WATERFALL) e a nutrição enteral precoce. A compreensão de que a TC precoce é desnecessária na maioria dos casos ajuda a reduzir custos e exposição à radiação, focando os recursos na monitorização de falências orgânicas, que são os verdadeiros determinantes de mortalidade na fase inicial da doença.

Perguntas Frequentes

Quando a Tomografia (TC) é indicada na pancreatite?

A TC de abdome com contraste é indicada quando há dúvida diagnóstica ou para avaliar complicações locais (como necrose ou coleções) em pacientes que não apresentam melhora clínica após 48 a 72 horas do início dos sintomas. Realizá-la antes desse período pode não mostrar alterações significativas, pois a necrose leva tempo para se tornar visível na imagem.

Níveis de amilase e lipase indicam gravidade?

Não. Embora níveis elevados (geralmente >3x o limite superior) sejam fundamentais para o diagnóstico, a magnitude da elevação da amilase ou lipase não possui correlação direta com a gravidade da inflamação pancreática ou com o prognóstico do paciente. A gravidade é definida por critérios clínicos, falência orgânica e complicações locais.

Antibiótico profilático deve ser usado?

Não é recomendada a antibioticoterapia profilática na pancreatite aguda, mesmo em casos graves ou com necrose estéril. O uso de antibióticos deve ser reservado para casos de infecção comprovada ou suspeita clínica forte de necrose infectada, visando evitar a seleção de germes multirresistentes e infecções fúngicas.

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