UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2025
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória que envolve o pâncreas, podendo ter acometimento de tecido peripancreático associado ou não a acometimento de sistemas orgânicos, o que pode evoluir para a falência de um ou mais órgãos, em casos mais graves. Das afirmativas abaixo, assinale a CORRETA.
TC precoce (<48-72h) na pancreatite aguda subestima a gravidade e necrose.
O diagnóstico da pancreatite aguda é clínico-laboratorial; exames de imagem precoces são reservados para dúvidas diagnósticas e não para avaliação prognóstica inicial.
A pancreatite aguda é uma das principais causas de internação gastrointestinal. O diagnóstico requer dois de três critérios: dor abdominal típica, amilase/lipase >3x o normal e achados compatíveis em exames de imagem. A fisiopatologia envolve a ativação intrínseca de enzimas digestivas, levando à autodigestão e resposta inflamatória sistêmica. O manejo atual enfatiza a hidratação venosa parcimoniosa (evitando sobrecarga hídrica, conforme estudos como o WATERFALL) e a nutrição enteral precoce. A compreensão de que a TC precoce é desnecessária na maioria dos casos ajuda a reduzir custos e exposição à radiação, focando os recursos na monitorização de falências orgânicas, que são os verdadeiros determinantes de mortalidade na fase inicial da doença.
A TC de abdome com contraste é indicada quando há dúvida diagnóstica ou para avaliar complicações locais (como necrose ou coleções) em pacientes que não apresentam melhora clínica após 48 a 72 horas do início dos sintomas. Realizá-la antes desse período pode não mostrar alterações significativas, pois a necrose leva tempo para se tornar visível na imagem.
Não. Embora níveis elevados (geralmente >3x o limite superior) sejam fundamentais para o diagnóstico, a magnitude da elevação da amilase ou lipase não possui correlação direta com a gravidade da inflamação pancreática ou com o prognóstico do paciente. A gravidade é definida por critérios clínicos, falência orgânica e complicações locais.
Não é recomendada a antibioticoterapia profilática na pancreatite aguda, mesmo em casos graves ou com necrose estéril. O uso de antibióticos deve ser reservado para casos de infecção comprovada ou suspeita clínica forte de necrose infectada, visando evitar a seleção de germes multirresistentes e infecções fúngicas.
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