Pancreatite Aguda: Manejo Inicial e Uso de Antibióticos

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2023

Enunciado

Paciente do sexo feminino de 25 anos, portadora de colelitíase, chega ao pronto atendimento com dor abdominal há 1 dia. A dor é difusa pelo abdome com sinais de irritação peritoneal, refere vômitos intensos e persistentes mesmo com o uso de anti-heméticos. Após realizar exames, constata-se amilase de 2.250 U/L, leucocitose de 16.330/mm³ sem bastonetes e sem anemia. A tomografia computadorizada confirma pancreatite aguda (Classificação C de Baltazar). Qual procedimento NÃO deve ser prescrito inicialmente para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Prescrever dieta via oral zero.
  2. B) Administrar ceftriaxona 1g EV de 12/12h.
  3. C) Realizar sondagem nasogástrica e deixar aberta.
  4. D) Realizar hidratação venosa (iniciando com 30-50mL/kg/dia, podendo ser ajustado de acordo com o volume de diurese).

Pérola Clínica

Antibióticos NÃO são rotineiramente indicados na pancreatite aguda leve/moderada, mesmo com leucocitose.

Resumo-Chave

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que requer suporte intensivo. O uso de antibióticos profiláticos não é recomendado na ausência de sinais de infecção extrapancreática ou necrose infectada, pois não melhora o prognóstico e pode induzir resistência.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e locais. A etiologia mais comum é a colelitíase, seguida pelo consumo excessivo de álcool. O diagnóstico é baseado em dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase sérica (pelo menos 3 vezes o limite superior da normalidade) e achados de imagem compatíveis. A classificação de Baltazar na tomografia computadorizada auxilia na avaliação da gravidade e prognóstico. O manejo inicial da pancreatite aguda é predominantemente de suporte. Os pilares incluem hidratação venosa agressiva para repor perdas e manter a perfusão, analgesia potente para controle da dor, e repouso intestinal (dieta zero, com progressão gradual ou nutrição enteral precoce em casos graves). A sondagem nasogástrica pode ser útil em pacientes com vômitos persistentes ou íleo paralítico para descompressão gástrica. É um erro comum a prescrição rotineira de antibióticos na pancreatite aguda. A antibioticoterapia profilática não demonstrou benefício na prevenção de necrose infectada ou na redução da mortalidade em pancreatite aguda leve a moderada. Seu uso deve ser restrito a casos de necrose pancreática infectada comprovada ou forte suspeita, ou em infecções extrapancreáticas, para evitar o desenvolvimento de resistência bacteriana e efeitos adversos desnecessários.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento inicial da pancreatite aguda?

Os pilares do tratamento inicial incluem hidratação venosa agressiva, analgesia adequada, dieta zero (ou mínima enteral precoce em casos selecionados) e monitoramento de complicações. A causa subjacente, como colelitíase, deve ser investigada e tratada.

Quando a antibioticoterapia é indicada na pancreatite aguda?

Antibióticos são indicados apenas em casos de pancreatite aguda grave com necrose infectada comprovada ou suspeita, ou em infecções extrapancreáticas. Não há benefício no uso profilático em pancreatite leve ou moderada.

Qual a importância da hidratação venosa na pancreatite aguda?

A hidratação venosa agressiva é crucial para manter a perfusão pancreática e sistêmica, prevenindo a isquemia e a progressão da inflamação. Deve ser iniciada precocemente e ajustada conforme a resposta do paciente, visando uma diurese adequada.

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