Pancreatite Aguda: Diagnóstico e Sinais de Gravidade

HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 40 anos, com obesidade e dislipidemia prévia, há quatro meses tem apresentado quadro de dor epigástrica e em hipocôndrio direito após alimentos gordurosos, e há algumas horas, após ter ido a um churrasco, evoluiu com dor em abdome superior de forte intensidade, irradiando para ombro direito, vômitos, febre, icterícia e confusão mental. Qual a hipótese diagnostica principal mais provável?

Alternativas

  1. A) Hepatite aguda
  2. B) Úlcera duodenal infectada
  3. C) Colecistite aguda
  4. D) Pancreatite aguda
  5. E) Pseudocisto pancreático

Pérola Clínica

Dor epigástrica/HCD irradiando para dorso/ombro, vômitos, febre, icterícia, confusão mental + histórico de litíase biliar/obesidade → Pancreatite aguda biliar complicada.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal superior intensa, irradiando para o ombro direito (ou dorso), associado a vômitos, febre, icterícia e confusão mental, em paciente com fatores de risco como obesidade e dislipidemia (sugestivo de litíase biliar), é altamente sugestivo de pancreatite aguda, possivelmente de etiologia biliar e com sinais de gravidade (icterícia, confusão mental).

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, que pode variar de leve e autolimitada a formas graves com necrose e falência de múltiplos órgãos. É uma emergência médica comum, e o reconhecimento precoce dos sintomas e fatores de risco é crucial para o manejo adequado e a prevenção de complicações. O quadro clínico clássico da pancreatite aguda envolve dor abdominal superior intensa, geralmente epigástrica, que pode irradiar para o dorso ou, como no caso, para o ombro direito, sugerindo etiologia biliar. Vômitos são comuns. Fatores de risco como obesidade e dislipidemia aumentam a probabilidade de litíase biliar, a causa mais comum de pancreatite aguda. A presença de icterícia e confusão mental indica obstrução biliar e/ou sinais de gravidade e disfunção orgânica, respectivamente, o que exige atenção imediata. O diagnóstico é confirmado pela elevação das enzimas pancreáticas (amilase e lipase) e exames de imagem. O tratamento inicial é de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e controle de náuseas. Em casos de pancreatite biliar com colangite ou obstrução persistente, a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) pode ser indicada. A monitorização contínua e a avaliação da gravidade são essenciais para guiar a terapia e identificar precocemente complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pancreatite aguda?

O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, intensa, irradiando para o dorso), elevação de amilase ou lipase sérica > 3 vezes o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem (TC, RM ou USG).

Quais são as principais etiologias da pancreatite aguda?

As duas principais etiologias são a litíase biliar (cálculos na vesícula biliar ou ducto biliar comum) e o alcoolismo. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, hipercalcemia, trauma, medicamentos e pós-CPRE.

Quais sinais e sintomas indicam gravidade na pancreatite aguda?

Sinais de gravidade incluem hipotensão, taquicardia, taquipneia, febre alta, oligúria, confusão mental, icterícia, insuficiência respiratória, e achados laboratoriais como leucocitose, elevação de PCR, disfunção renal e hipocalcemia. Escores de gravidade como Ranson ou APACHE II são úteis.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo