UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2020
Em relação à pancreatite aguda, assinale a alternativa CORRETA.
Amilase e lipase diagnosticam pancreatite aguda, mas NÃO avaliam gravidade ou prognóstico.
As dosagens de amilase e lipase séricas são essenciais para o diagnóstico da pancreatite aguda, com elevações de pelo menos 3 vezes o limite superior da normalidade. No entanto, a magnitude desses valores não se correlaciona com a gravidade da doença ou seu prognóstico, que devem ser avaliados por outros critérios clínicos e laboratoriais.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de uma doença leve e autolimitada a uma condição grave com falência de múltiplos órgãos e alta mortalidade. As principais causas são litíase biliar e alcoolismo, respondendo por cerca de 80% dos casos. O reconhecimento precoce e a estratificação de risco são cruciais para o manejo adequado e para a prevenção de complicações. O diagnóstico da pancreatite aguda é clínico-laboratorial, baseado na dor abdominal característica e na elevação das enzimas pancreáticas (amilase e lipase). É fundamental entender que, embora essenciais para o diagnóstico, os níveis dessas enzimas não são preditivos de gravidade. A avaliação da gravidade e do prognóstico é feita por meio de critérios clínicos (sinais de resposta inflamatória sistêmica), laboratoriais (leucocitose, PCR, ureia, creatinina, glicemia, cálcio) e sistemas de pontuação como Ranson, APACHE II e BISAP, além da classificação de Atlanta. A tomografia computadorizada de abdome superior não é indicada na admissão de todos os pacientes com suspeita de pancreatite aguda, sendo reservada para casos de dúvida diagnóstica, falha de melhora clínica após 48-72 horas, ou suspeita de complicações locais como necrose ou pseudocisto. O tratamento inicial é de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e controle de náuseas. Para residentes, é vital dominar a abordagem diagnóstica, a avaliação da gravidade e as indicações de exames de imagem para otimizar o cuidado ao paciente com pancreatite aguda.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal aguda de início súbito e intensa, tipicamente em epigástrio com irradiação para o dorso; elevação da amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade; e achados característicos em exames de imagem (TC ou RM) em casos duvidosos.
A amilase e a lipase não se correlacionam com a gravidade da pancreatite aguda porque seus níveis séricos refletem a lesão inicial do pâncreas, mas não a extensão da necrose ou a resposta inflamatória sistêmica. Pacientes com pancreatite leve podem ter níveis enzimáticos muito altos, enquanto casos graves com extensa necrose glandular podem ter níveis normais ou discretamente elevados devido à destruição das células produtoras.
A gravidade da pancreatite aguda é avaliada pelos Critérios de Atlanta (revisados em 2012), que classificam a doença em leve, moderadamente grave e grave com base na presença de falência orgânica e complicações locais. Sistemas de pontuação como Ranson, APACHE II e BISAP são utilizados para estratificação de risco e prognóstico nas primeiras 48 horas.
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