Pancreatite Aguda: Manejo de Coleções Líquidas

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 55 anos apresenta desconforto epigástrico e plenitude gástrica. AP: etilista e internação prévia por pancreatite aguda há 2 semanas. TC de abdome: conforme imagem.A conduta correta é:

Alternativas

  1. A) observação clínica e seguimento com exame de imagem.
  2. B) laparotomia exploradora de urgência.
  3. C) drenagem percutânea.
  4. D) EDA para possível conduta terapêutica.

Pérola Clínica

Coleção líquida peripancreática pós-pancreatite aguda < 4 semanas, assintomática/pouco sintomática → observação clínica.

Resumo-Chave

Coleções líquidas peripancreáticas agudas, que surgem após um episódio de pancreatite aguda e têm menos de 4 semanas de evolução, frequentemente se resolvem espontaneamente. A conduta inicial, especialmente em pacientes com sintomas leves ou ausentes, é a observação clínica e o acompanhamento com exames de imagem para monitorar sua evolução.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações locais e sistêmicas. As coleções líquidas peripancreáticas agudas são uma complicação comum, ocorrendo em até 30-50% dos casos, especialmente nas primeiras semanas após o início da doença. Elas representam acúmulos de líquido inflamatório sem uma parede bem definida e geralmente são estéreis. A maioria das coleções líquidas peripancreáticas agudas se resolve espontaneamente sem necessidade de intervenção. A conduta inicial para pacientes assintomáticos ou com sintomas leves é a observação clínica rigorosa e o acompanhamento com exames de imagem, como a tomografia computadorizada, para monitorar a evolução da coleção. A intervenção (drenagem percutânea, endoscópica ou cirúrgica) é reservada para casos de coleções sintomáticas, infectadas, ou que persistem por mais de 4-6 semanas e se transformam em pseudocistos pancreáticos ou necrose encapsulada. O manejo conservador é a pedra angular no tratamento inicial, visando a resolução espontânea e evitando procedimentos invasivos desnecessários que podem aumentar o risco de complicações. A decisão de intervir deve ser baseada na sintomatologia do paciente, no tamanho e na evolução da coleção, e na presença de infecção.

Perguntas Frequentes

Quando uma coleção líquida peripancreática necessita de intervenção?

A intervenção é geralmente indicada para coleções sintomáticas (dor, obstrução), infectadas, ou que persistem por mais de 4-6 semanas e não mostram sinais de resolução espontânea, transformando-se em pseudocistos maduros ou necrose encapsulada.

Qual a diferença entre coleção líquida peripancreática aguda e pseudocisto pancreático?

Coleções líquidas peripancreáticas agudas são coleções não encapsuladas de líquido inflamatório que ocorrem nas primeiras 4 semanas após pancreatite aguda. Pseudocistos pancreáticos são coleções encapsuladas com parede bem definida, que se formam após 4 semanas.

Quais são os fatores de risco para pancreatite aguda?

Os principais fatores de risco incluem litíase biliar (cálculos na vesícula), etilismo crônico, hipertrigliceridemia, trauma abdominal, certos medicamentos e causas genéticas.

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