AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024
Homem, 54 anos, deu entrada no pronto atendimento por dor abdominal de início súbito, sendo diagnosticado com pancreatite aguda. No momento, encontra-se estável hemodinamicamente e sem sinais clínicos e laboratoriais de disfunção orgânica. Sobre o manejo inicial desse paciente, assinale a alternativa correta.
Pancreatite aguda leve → Hidratação + Analgesia + Dieta (conforme tolerância). Sem ATB!
A maioria dos casos de pancreatite aguda é leve e autolimitada, exigindo apenas suporte clínico com reposição volêmica e controle da dor, sem antibióticos profiláticos.
A pancreatite aguda é uma resposta inflamatória sistêmica decorrente da autodigestão enzimática do pâncreas. O manejo inicial foca na ressuscitação volêmica para combater o sequestro de líquidos para o terceiro espaço e manter a estabilidade hemodinâmica. A classificação de Atlanta divide a gravidade em leve, moderadamente grave e grave, baseando-se na presença de falência orgânica e complicações locais. Na ausência de sinais de gravidade, o tratamento é puramente de suporte. O uso de carbapenêmicos ou outros antibióticos de amplo espectro só se justifica em complicações infecciosas tardias ou focos infecciosos extra-pancreáticos. A analgesia deve ser escalonada conforme a necessidade do paciente, garantindo o conforto durante a fase inflamatória aguda.
Antibióticos não são indicados de rotina ou de forma profilática. Devem ser reservados para casos de infecção confirmada ou suspeita, como necrose pancreática infectada, colangite associada ou infecções extra-pancreáticas claras.
A hidratação venosa agressiva (preferencialmente com Ringer Lactato) nas primeiras 12-24 horas é crucial para manter a perfusão microvascular pancreática e prevenir a progressão para necrose e falência orgânica.
O reinício precoce da dieta via oral é recomendado assim que o paciente tolerar (redução da dor e ausência de vômitos), geralmente com dieta de baixa gordura, o que reduz o tempo de internação e complicações.
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