PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023
Paciente de 42 anos é admitido no pronto socorro do Hospital Universitário Cajuru com queixa de dor abdominal. O paciente apresenta uma dor em região epigástrica, irradiada para o dorso. Você suspeita que o paciente está com um quadro de pancreatite aguda. Sobre o tratamento da pancreatite aguda, assinale a alternativa CORRETA.
Pancreatite leve → Dieta oral precoce (≤72h) conforme tolerância clínica.
O tratamento da pancreatite aguda foca em suporte: hidratação agressiva, analgesia e reintrodução precoce da dieta oral assim que a dor permitir, evitando jejum prolongado.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas com espectro clínico variável. O pilar do tratamento é o suporte clínico, fundamentado na reposição volêmica precoce e analgesia adequada. Diferente de condutas antigas, o jejum prolongado é desencorajado, pois a nutrição precoce preserva a integridade da mucosa intestinal. A classificação de Atlanta revisada divide a gravidade em leve, moderadamente grave e grave, baseando-se na presença de falência orgânica e complicações locais. A maioria dos casos é leve e autolimitada, exigindo apenas manejo sintomático. A intervenção cirúrgica é raramente indicada na fase aguda, sendo reservada para complicações tardias como necrose infectada sintomática ou coleções volumosas que causam obstrução.
Na pancreatite aguda leve, a dieta oral deve ser iniciada precocemente, geralmente em até 24-72 horas, assim que o paciente apresentar melhora clínica da dor e ausência de náuseas ou vômitos. Não há necessidade de esperar a normalização das enzimas pancreáticas. Em casos graves, a nutrição enteral é preferível à parenteral para manter a barreira intestinal e reduzir o risco de translocação bacteriana e infecção da necrose.
Não. O uso de antibióticos profiláticos não é recomendado para prevenir complicações infecciosas na pancreatite aguda, independentemente da gravidade ou presença de necrose estéril. A antibioticoterapia deve ser reservada para casos de necrose infectada confirmada ou suspeita clínica forte (febre, leucocitose persistente após 7-10 dias) e infecções extrapancreáticas, como colangite ou infecção do trato urinário.
A hidratação venosa agressiva com cristaloides (preferencialmente Ringer Lactato) é fundamental nas primeiras 12-24 horas para manter a perfusão pancreática e prevenir a falência orgânica. O Ringer Lactato é frequentemente preferido ao Soro Fisiológico por reduzir a incidência de acidose hiperclorêmica e diminuir a resposta inflamatória sistêmica, embora o volume deva ser ajustado individualmente para evitar sobrecarga volêmica.
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