Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Homem de 59 anos com dor abdominal intensa, náuseas e vômitos. Etílico crônico. Exames: amilase 620 U/L. Qual o diagnóstico provável?
Dor abdominal intensa + Etilismo + Amilase > 3x LSN = Pancreatite Aguda.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer 2 de 3 critérios: dor abdominal característica, enzimas pancreáticas (amilase/lipase) > 3x o limite superior e/ou imagem compatível. O etilismo é a segunda causa mais comum.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória com espectro clínico variável, desde formas leves autolimitadas até falência orgânica múltipla e necrose infectada. O manejo inicial foca na ressuscitação volêmica agressiva precoce, analgesia e suporte nutricional (preferencialmente via enteral). A identificação da etiologia (biliar, alcoólica, hipertrigliceridemia) é fundamental para prevenir recorrências. No caso do etilismo, a cessação do consumo é o pilar para evitar a progressão para pancreatite crônica e suas complicações irreversíveis.
De acordo com a Classificação de Atlanta revisada, o diagnóstico exige a presença de pelo menos dois dos seguintes três critérios: 1) Dor abdominal sugestiva (início agudo, persistente, epigástrica intensa, frequentemente irradiando para as costas em barra); 2) Atividade de amilase ou lipase sérica pelo menos três vezes superior ao limite superior da normalidade; 3) Achados característicos de pancreatite aguda em exames de imagem (TC com contraste, RM ou ultrassonografia).
O álcool é a segunda causa mais comum de pancreatite aguda. O consumo crônico de etanol leva à sensibilização das células acinares pancreáticas e à formação de plugs proteicos nos ductos, além de gerar metabólitos tóxicos (como o acetaldeído) que induzem estresse oxidativo e ativação prematura de enzimas digestivas dentro do pâncreas, resultando em autodigestão tecidual e inflamação sistêmica.
A lipase é considerada superior à amilase para o diagnóstico. A lipase é mais específica (a amilase pode elevar em parotidite e outras condições abdominais) e possui uma meia-vida mais longa, permanecendo elevada por 7 a 14 dias, enquanto a amilase tende a normalizar em 3 a 5 dias. No entanto, a elevação de qualquer uma acima de 3 vezes o normal, no contexto clínico correto, é suficiente para o diagnóstico.
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