FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022
Masculino, com quadro clínico sugestivo de pancreatite aguda é admitido na emergência do hospital. Na admissão, ele apresenta um hematócrito de 36%; hemoglobina de 12 mg/dl; leucócitos de 12.000; glicemia de 145 mg/dl; AST sérica de 140 U/L; amilase de 1200 U/L; ureia de 20 mg/dl e DHL de 250 UI/L. Submetido aos procedimentos de rotina, como hidratação vigorosa, analgesia e transferido para a Unidade Terapia Intensiva. Com relação a utilização da tomografia computadorizada abdominal, podemos afirmar que:
TC abdominal em pancreatite aguda: NÃO na fase inicial (<72h), exceto para dúvida diagnóstica. Usar após 72h para avaliar necrose/complicações.
A tomografia computadorizada abdominal com contraste não é indicada rotineiramente nas primeiras 72 horas de pancreatite aguda, a menos que haja dúvida diagnóstica ou ausência de melhora clínica. Sua principal utilidade é após esse período, para avaliar a presença e extensão de necrose pancreática ou outras complicações locais, que são determinantes da gravidade.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e locais. O diagnóstico é geralmente clínico e laboratorial, com a tríade de dor abdominal característica, elevação de enzimas pancreáticas (amilase e lipase) e, em alguns casos, achados de imagem. A avaliação da gravidade é crucial para o manejo, utilizando-se escores como Ranson ou APACHE II. A tomografia computadorizada (TC) abdominal com contraste desempenha um papel importante na pancreatite aguda, mas seu momento de indicação é crítico. Nas primeiras 72 horas do início dos sintomas, a TC geralmente não é recomendada, a menos que haja dúvida diagnóstica (para excluir outras condições abdominais agudas) ou que o paciente não apresente melhora clínica apesar do tratamento inicial. Isso ocorre porque, nesse período, a necrose pancreática pode não estar totalmente estabelecida e o uso de contraste pode agravar a lesão renal aguda, uma complicação comum. Após as primeiras 72 horas, a TC com contraste torna-se mais útil para identificar e quantificar a necrose pancreática, coleções fluidas, pseudocistos e outras complicações locais, que são os principais determinantes da gravidade e do prognóstico. O Índice de Balthazar, combinado com a presença de necrose, é uma ferramenta radiológica importante para estratificar o risco. Para residentes, é fundamental entender que a TC precoce e indiscriminada não é benéfica e pode até ser prejudicial, devendo ser reservada para indicações específicas.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiando para o dorso), elevação de amilase e/ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis (TC, USG ou RM).
A TC abdominal com contraste é indicada na pancreatite aguda principalmente após 72 horas do início dos sintomas para avaliar a presença de necrose pancreática ou outras complicações locais. Também pode ser utilizada antes desse período se houver dúvida diagnóstica ou ausência de melhora clínica.
O Índice de Balthazar, associado à presença de necrose, é um sistema de pontuação radiológica utilizado na TC para graduar a gravidade da pancreatite aguda, correlacionando-se com o risco de morbimortalidade. Ele avalia o grau de inflamação pancreática e peripancreática e a extensão da necrose.
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