FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023
Mulher de 37 anos é encaminhada ao setor de pronto atendimento do hospital com queixa de dor em abdome superior em faixa irradiada para o dorso e associada a distensão abdominal e náuseas há 2 dias. No exame físico, ela apresenta-se desidratada, levemente dispneica e ansiosa. O exame cardiopulmonar não apresenta anormalidades e no exame abdominal ela apresenta distensão abdominal, ruídos hidroaéreos presentes e dor a palpação do andar superior, mas sem dor a descompressão brusca. São solicitados exames laboratoriais que mostram hematócrito de 36%; hemoglobina de 11,6 mg/dL; leucócitos de 12.000 mm3; amilase de 1280 U/L; lipase de 530 U/L. Uma ultrassonografia de abdome é solicitada e revela cálculos no interior da vesícula biliar, mas sem sinais de colicistite aguda. Assinale a alternativa que contém as prioridades na condução deste caso.
Pancreatite aguda: prioridades = hidratação agressiva, analgesia eficaz, e nutrição enteral precoce.
O caso descreve um quadro clássico de pancreatite aguda biliar. As prioridades iniciais no manejo incluem reposição volêmica agressiva para combater a desidratação e prevenir complicações, controle eficaz da dor e, quando possível, início precoce da alimentação oral para manter a integridade da barreira intestinal.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas, caracterizada por dor abdominal intensa, geralmente em faixa e irradiada para o dorso, acompanhada de náuseas, vômitos e distensão abdominal. As principais causas são cálculos biliares (pancreatite biliar) e alcoolismo. O diagnóstico é confirmado pela presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem. O manejo inicial da pancreatite aguda é crucial para determinar o prognóstico e prevenir complicações. As prioridades incluem: 1) Reposição volêmica agressiva com cristaloides para combater a desidratação e a hipovolemia, que são comuns devido ao sequestro de fluidos e perdas. 2) Controle eficaz da dor, geralmente com opioides, para garantir o conforto do paciente. 3) Suporte nutricional, com a tendência atual de iniciar a alimentação oral ou enteral precocemente, assim que a dor e as náuseas permitirem, para manter a integridade da barreira intestinal e reduzir o risco de infecções. Outras medidas incluem o manejo das causas subjacentes (ex: colecistectomia para pancreatite biliar após a fase aguda), monitoramento de complicações (necrose, pseudocistos, falência de órgãos) e tratamento de suporte. A antibioticoterapia profilática não é recomendada de rotina. A compreensão dessas prioridades é fundamental para o residente na condução de casos de pancreatite aguda.
Os pilares do tratamento inicial da pancreatite aguda são: reposição volêmica agressiva com cristaloides, controle eficaz da dor com analgésicos potentes e suporte nutricional, preferencialmente com alimentação oral precoce ou enteral.
A pancreatite aguda causa sequestro de fluidos para o terceiro espaço e perdas gastrointestinais, levando à desidratação e hipovolemia. A reposição hídrica agressiva previne a isquemia pancreática e a falência de órgãos, reduzindo a gravidade da doença.
A alimentação oral pode ser iniciada precocemente (geralmente em 24-72 horas) em pacientes com pancreatite aguda leve, desde que a dor esteja controlada, não haja íleo paralítico e os exames laboratoriais estejam em melhora. Dietas leves e com baixo teor de gordura são preferidas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo