SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2020
Paciente 45 anos, sexo masculino dá entrada na Emergência com quadro de dor surda abdominal aguda, de início há 24 horas, com piora progressiva, em epigástrio irradiando para dorso. Nega febre. Relata episódios de dor semelhante, porém menos intensa, nos últimos dois meses. Paciente hipertenso e diabético, etilista de longa data, com última libação alcóolica há 36h, tabagista ativo, 230 maços-ano. Marque a opção falsa:
Pancreatite aguda: amilase elevada é diagnóstica, mas não preditora de mortalidade.
A amilase elevada é um critério diagnóstico para pancreatite aguda, mas não é um marcador de gravidade ou mortalidade. Outros parâmetros, como lactato desidrogenase (LDH) e hipoalbuminemia, podem estar associados à gravidade, mas a amilase por si só não.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de um quadro leve e autolimitado a uma doença grave com complicações sistêmicas e alta mortalidade. É uma condição comum na emergência, e seu manejo adequado é crucial para o prognóstico do paciente. A etiologia mais comum é a colelitíase e o etilismo, como no caso do paciente descrito. O diagnóstico da pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiando para o dorso), elevação da amilase e/ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem. É importante ressaltar que a dosagem sérica de amilase dentro da normalidade não exclui o diagnóstico, especialmente em casos de pancreatite crônica agudizada ou atraso na apresentação. A base do tratamento da pancreatite aguda é a hidratação venosa agressiva para combater a hipovolemia e a inflamação sistêmica. A dieta oral zero não deve ser prescrita indiscriminadamente; a realimentação precoce é recomendada quando o paciente está estável e sem dor abdominal, mesmo com enzimas pancreáticas ainda alteradas. Quanto aos marcadores de gravidade, a amilase elevada é diagnóstica, mas não preditora de mortalidade. Outros parâmetros como lactato desidrogenase (LDH) e hipoalbuminemia podem estar associados a maior mortalidade, mas a amilase por si só não é um bom indicador prognóstico.
As causas mais comuns de pancreatite aguda são a colelitíase (cálculos biliares) e o etilismo, respondendo por cerca de 80% dos casos. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, medicamentos, trauma e infecções virais.
A hidratação venosa agressiva é a base do tratamento inicial, pois a pancreatite aguda causa sequestro de fluidos para o terceiro espaço, levando à hipovolemia e má perfusão, que devem ser corrigidas para prevenir complicações sistêmicas e falência orgânica.
A dieta oral pode ser reiniciada precocemente, assim que o paciente estiver estável, sem dor abdominal significativa e com melhora dos sintomas, mesmo que os níveis de amilase e lipase séricas ainda estejam elevados, pois a realimentação precoce é benéfica.
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