Pancreatite Aguda: Classificação de Gravidade e Manejo Inicial

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 55 anos, obesa, diabética, refere quadro de dor tipo cólica em Hipocôndrio Direito que irradiou para todo o andar superior do abdome e dorso, tornando-se contínua e intensa, há cerca de 12 horas, associada a náuseas e vômitos. Nega febre, diarreia e sintomas urinários. Ao exame físico, apresenta-se com fácies de dor, em Bom Estado Geral, LOTE, afebril, FC: 72bpm, FR: 24irpm, anictérica e P.A.: 120x80mmHg. Débito urinário satisfatório. Seu abdome é algo distendido, bastante doloroso à palpação do andar superior, sem sinais de irritação peritoneal. Hematócrito 40%. Leucograma 12.000. Amilase sérica: 1.800 g/dl.Assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Devemos ser cautelosos quanto a hidratação desta paciente, pois volumes superiores a 2.000ml de Ringer Lactato nas primeiras 24 horas estão associados a evolução desfavorável do quadro.
  2. B) À admissão, a ultrassonografia seria dispensável por não evidenciar de forma precisa o grau de acometimento local pancreático, estando indicada a tomografia computadorizada.
  3. C) Os dados acima não nos permitem avaliar e classificar adequadamente a gravidade do caso, sendo necessária a observação clínica de falência de órgãos e sistemas por 48h.
  4. D) Uma vez que esta paciente apresenta fatores de risco para evolução desfavorável do quadro, está indicada a antibioticoterapia com Ciprofloxacino e Metronidazol.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda: avaliação da gravidade requer observação de falência orgânica por 48-72h.

Resumo-Chave

A avaliação da gravidade da pancreatite aguda não é feita apenas por critérios laboratoriais ou de imagem iniciais, mas principalmente pela presença e persistência de falência de órgãos e sistemas nas primeiras 48-72 horas. A paciente apresenta sinais de pancreatite aguda, mas a classificação de gravidade definitiva exige tempo.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com alta morbimortalidade. A etiologia mais comum é biliar ou alcoólica. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com elevação de amilase e lipase. A classificação da gravidade é crucial para o manejo. Embora existam scores como Ranson e APACHE II, a presença de falência de órgãos (respiratória, renal, cardiovascular) que persiste por mais de 48 horas é o principal determinante de gravidade. A observação clínica nas primeiras 48-72 horas é fundamental para identificar essa falência. O tratamento inicial foca em hidratação vigorosa com Ringer Lactato, analgesia e suporte nutricional. A antibioticoterapia profilática não é recomendada. A ultrassonografia é útil para etiologia biliar, e a tomografia com contraste é reservada para casos de não melhora clínica ou para avaliar complicações como necrose infectada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de pancreatite aguda?

O diagnóstico de pancreatite aguda requer dois de três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiando para o dorso), elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos 3 vezes o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem (TC ou USG).

Por que a avaliação da gravidade da pancreatite aguda requer observação prolongada?

A gravidade da pancreatite aguda é determinada principalmente pela presença e persistência de falência de órgãos e sistemas (respiratória, renal, cardiovascular) que pode se desenvolver nas primeiras 48-72 horas, e não apenas por parâmetros iniciais.

Qual o papel da ultrassonografia e tomografia na pancreatite aguda?

A ultrassonografia é o exame inicial para identificar a etiologia biliar. A tomografia computadorizada com contraste é mais precisa para avaliar o grau de acometimento pancreático e a presença de necrose, mas geralmente é indicada após 48-72 horas para reavaliar a gravidade ou em casos de piora clínica.

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