Pancreatite Aguda: Diagnóstico e Conduta na Emergência

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 45 anos apresenta-se à sala de emergência com dor abdominal intensa na região superior do abdômen, que irradia para as costas e piora após refeição. Relata náuseas e um episódio de vômito no dia anterior. O exame físico revela uma pele ictérica e sensibilidade abdominal na região epigástrica, sem peritonismo.Dados vitais: PA 130/90mmHg, FC 115bpm, T: 36,7 graus Celsius;Foram realizados exames laboratoriais:- Hemograma: Hemoglobina 13,5, Leucócitos 17.350 (VR 4.000-10.000)- Lipase: 894UI/ml (VR < 60)- Glicose sérica: 105mg/dl (VR até 106mg/dl)- LDH: 451 U/L- TGO: 64UI/L. – TGP: 50UI/LSobre o quadro clínico descrito, assinale a melhor conduta na sala de emergência.

Alternativas

  1. A) Jejum, analgesia, Ceftriaxona endovenosa, ultrassom abdômen total.
  2. B) Dieta hipogordurosa, hidratação e Ceftriaxona endovenosa.
  3. C) Dieta hipogordurosa, analgesia, Meropenem endovenoso, hidratação.
  4. D) Jejum, hidratação e ultrassom abdominal.
  5. E) Jejum, analgesia, hidratação, solicita tomografia de abdome.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda: dor epigástrica irradiando para dorso + lipase >3x LSN. Conduta inicial: jejum, hidratação, analgesia.

Resumo-Chave

O quadro clínico e laboratorial (dor típica, lipase muito elevada) é altamente sugestivo de pancreatite aguda. A icterícia e elevação de TGO/TGP sugerem etiologia biliar. A conduta inicial foca em suporte e investigação da causa e gravidade.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e locais. É uma condição comum na emergência, e seu reconhecimento precoce e manejo adequado são cruciais para o prognóstico do paciente. A etiologia mais comum é biliar (cálculos na vesícula) ou alcoólica. O diagnóstico é primariamente clínico e laboratorial, com a dor abdominal característica e elevação das enzimas pancreáticas (lipase e/ou amilase). A avaliação da gravidade, muitas vezes pelos critérios de Ranson ou APACHE II, é fundamental para guiar o tratamento. A icterícia e elevação de TGO/TGP no caso sugerem etiologia biliar, que pode necessitar de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) em casos de colangite ou obstrução biliar persistente. O tratamento inicial é de suporte, com foco em hidratação vigorosa para prevenir hipovolemia e necrose, analgesia eficaz para controle da dor e jejum para repouso pancreático. A tomografia de abdome é essencial para avaliar a extensão da doença e identificar complicações como necrose ou pseudocistos, mas geralmente não é realizada nas primeiras 48 horas, a menos que haja incerteza diagnóstica ou piora clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para pancreatite aguda?

O diagnóstico de pancreatite aguda requer dois dos três critérios: dor abdominal característica, lipase ou amilase sérica elevadas em pelo menos três vezes o limite superior do normal, e achados de imagem compatíveis.

Qual a conduta inicial para um paciente com pancreatite aguda?

A conduta inicial inclui jejum oral, hidratação venosa agressiva com cristaloides, analgesia adequada e avaliação da etiologia e gravidade.

Quando a tomografia de abdome é indicada na pancreatite aguda?

A tomografia de abdome com contraste é indicada após 48-72 horas do início dos sintomas para avaliar a extensão da necrose ou complicações locais, ou mais precocemente se houver dúvida diagnóstica ou deterioração clínica.

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