HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2022
Paciente de 65 anos de idade dá entrada na emergência, trazido por seus familiares que relatam que ele está apresentado dor abdominal. Ao exame físico, você evidencia paciente desidratado, taquicárdico, torporoso e com dor abdominal em região epigástrica. Os achados laboratoriais mostram Glicemia de 215mg/dL, Leucocitose 20.000, amilase e lipase aumentadas. Diante do quadro acima, qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Dor epigástrica + amilase/lipase ↑ + sinais sistêmicos (taquicardia, leucocitose) → Pancreatite aguda.
O quadro clínico de dor abdominal epigástrica intensa, acompanhado de sinais de resposta inflamatória sistêmica (taquicardia, leucocitose) e elevação significativa das enzimas pancreáticas (amilase e lipase), é altamente sugestivo de pancreatite aguda. A desidratação e o torpor indicam gravidade.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, caracterizada por dor abdominal intensa e elevação das enzimas pancreáticas. Sua incidência tem aumentado globalmente, sendo uma causa comum de internação hospitalar por dor abdominal aguda. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações graves e reduzir a mortalidade. A fisiopatologia envolve a ativação prematura de enzimas digestivas dentro do pâncreas, levando à autodigestão do órgão. O diagnóstico é estabelecido pela presença de dor abdominal epigástrica característica, elevação da amilase e/ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis. Sinais de resposta inflamatória sistêmica, como taquicardia, leucocitose e desidratação, indicam a gravidade do quadro. O tratamento inicial da pancreatite aguda é de suporte, incluindo hidratação venosa agressiva, analgesia e jejum oral. A identificação e tratamento da causa subjacente (ex: colecistectomia para pancreatite biliar) são essenciais. A monitorização contínua e o manejo de complicações como necrose pancreática, infecção e falência orgânica são fundamentais para o prognóstico do paciente.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiando para o dorso), elevação da amilase e/ou lipase sérica em pelo menos 3 vezes o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem (TC ou RM).
A lipase é geralmente mais específica e sensível que a amilase para o diagnóstico de pancreatite aguda, e permanece elevada por mais tempo. Ambas são importantes, mas a lipase é preferível em casos de dúvida ou apresentação tardia.
As duas causas mais comuns de pancreatite aguda são cálculos biliares (coledocolitíase) e alcoolismo. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, hipercalcemia, trauma, medicamentos, infecções e pancreatite autoimune.
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