UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015
Paciente de 47 anos, com antecedentes de ingestão alcoólica em grande quantidade por vários anos, está em recuperação de um quadro de pancreatite aguda e desenvolve febre e reagudização da dor abdominal. Uma radiografia de tórax mostra derrame pleural à esquerda. A contagem de leucócitos no hemograma é de 16.700. O próximo procedimento diagnóstico deve ser:
Pancreatite aguda + febre + dor + derrame pleural → suspeitar de complicação. CPRE para etiologia biliar ou drenagem ductal.
Em um paciente com pancreatite aguda em recuperação que desenvolve febre, reagudização da dor abdominal e derrame pleural, a suspeita principal é de complicações como necrose pancreática infectada ou pseudocisto. Embora a tomografia computadorizada seja o exame de escolha para avaliar essas complicações, se a CPRE é o gabarito, a questão pode estar insinuando uma complicação biliar subjacente ou a necessidade de drenagem ductal que a CPRE pode resolver.
A pancreatite aguda é uma inflamação aguda do pâncreas, que pode variar de um quadro leve e autolimitado a uma doença grave com necrose e falência de múltiplos órgãos. O alcoolismo e a litíase biliar são as causas mais comuns. É fundamental que residentes e estudantes de medicina reconheçam as complicações e saibam como investigá-las. A fisiopatologia envolve a ativação prematura de enzimas pancreáticas dentro do próprio pâncreas, levando à autodigestão. As complicações locais incluem coleções líquidas agudas, pseudocistos, necrose pancreática (estéril ou infectada) e abscesso. Sintomas como febre, reagudização da dor abdominal e leucocitose, especialmente em um paciente em recuperação, sugerem fortemente uma complicação, sendo a necrose infectada uma das mais temidas. O derrame pleural é uma complicação comum da pancreatite grave. O diagnóstico de complicações é primariamente feito por exames de imagem, como a tomografia computadorizada abdominal com contraste, que permite identificar necrose, coleções e pseudocistos. A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) tem um papel mais específico, sendo indicada para desobstrução biliar em pancreatite biliar com colangite ou icterícia persistente, ou para drenagem de pseudocistos selecionados com comunicação ductal. No entanto, para a investigação inicial de febre e dor em pancreatite alcoólica, a TC é geralmente o primeiro passo para avaliar a extensão da necrose ou a presença de infecção.
As complicações da pancreatite aguda incluem coleções líquidas peripancreáticas, pseudocistos pancreáticos, necrose pancreática estéril ou infectada, abscesso pancreático, insuficiência orgânica e fístulas.
A CPRE é indicada principalmente na pancreatite biliar grave com colangite aguda ou obstrução biliar persistente, para remover cálculos ou drenar o ducto biliar. Em alguns casos, pode ser usada para drenagem de pseudocistos com comunicação ductal.
Para investigar febre e reagudização da dor em um paciente com pancreatite, a tomografia computadorizada (TC) abdominal com contraste é o exame de imagem de escolha para avaliar a presença de necrose, coleções líquidas, pseudocistos ou infecção.
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