PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2021
Homem, 52 anos, apresenta queixa de dor intensa em andar superior do abdome há 24h de início progressivo e caráter vago, distribuindo se para ambos hipocôndrios e também para dorso. Há alívio da queixa ao fletir anteriormente o tronco em posição genu peitoral. Ao exame físico há intensa dor à palpação de todo o andar superior, mas não há dor à descompressão brusca. Com relação ao quadro apresentado é possível afirmar:
Dor epigástrica irradiando para dorso + alívio em genu peitoral + amilase/lipase > 3x LSN = Pancreatite Aguda.
A dor abdominal intensa em andar superior, irradiando para o dorso e com alívio em posição genu peitoral, é altamente sugestiva de pancreatite aguda. O diagnóstico sindrômico é confirmado pela presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, amilase ou lipase sérica elevadas (pelo menos 3 vezes o limite superior da normalidade) e achados de imagem compatíveis.
A pancreatite aguda é uma inflamação aguda do pâncreas, que pode variar de uma doença leve e autolimitada a uma condição grave com falência de múltiplos órgãos e alta mortalidade. Sua incidência tem aumentado globalmente. A etiologia mais comum é a biliar (cálculos na via biliar) e o alcoolismo, respondendo por cerca de 80% dos casos. É uma causa importante de abdome agudo inflamatório. A fisiopatologia envolve a ativação prematura de enzimas digestivas dentro do pâncreas, levando à autodigestão do órgão. O diagnóstico é estabelecido pela presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, em faixa, irradiando para o dorso, aliviada em posição genu peitoral), elevação da amilase ou lipase sérica a pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética). A ultrassonografia abdominal é útil para investigar a etiologia biliar. O tratamento inicial é de suporte, incluindo hidratação venosa agressiva, analgesia e controle de náuseas e vômitos. A identificação e tratamento da causa subjacente são cruciais. A maioria dos casos é leve e se resolve com medidas de suporte, mas a pancreatite grave pode exigir manejo em unidade de terapia intensiva para tratar complicações como necrose pancreática, infecção e falência orgânica. O prognóstico depende da gravidade inicial e da presença de complicações.
A pancreatite aguda tipicamente se manifesta com dor intensa e progressiva no andar superior do abdome, frequentemente em faixa, irradiando para o dorso. Outros sintomas incluem náuseas, vômitos e, em alguns casos, alívio da dor ao fletir o tronco para frente (posição genu peitoral).
A amilase e a lipase séricas são marcadores bioquímicos importantes. Níveis de amilase ou lipase superiores a três vezes o limite superior da normalidade, na presença de dor abdominal característica, são suficientes para confirmar o diagnóstico de pancreatite aguda. A lipase é geralmente mais específica e sensível que a amilase.
A diferenciação envolve a avaliação clínica detalhada, exames laboratoriais (amilase, lipase, hemograma, função hepática) e, por vezes, exames de imagem. A dor em faixa com irradiação para o dorso e alívio em posição genu peitoral é bastante sugestiva de pancreatite, distinguindo-a de condições como colecistite aguda ou úlcera péptica perfurada.
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