UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025
Paciente de 28 anos, quadro de dor abdominal em região epigástrica há 18 horas com piora após às refeições. Nega uso de medicamentos e uso de substâncias. Ao exame, apresenta frequência cardíaca de 120 bpm, pressão arterial de 130 x 80 mmHg, dor à palpação difusa abdominal, sem irritação peritonial. Exames mostraram leucocitose 24.000 leuc/mm³, 6% bastão, amilase 1200 U/L. Em relação à conduta a ser tomada está CORRETO afirmar:
Pancreatite aguda: reintrodução alimentar precoce (oral/enteral) reduz complicações e mortalidade.
Na pancreatite aguda, a reintrodução alimentar precoce, seja por via oral (se tolerada) ou enteral, é uma conduta que comprovadamente melhora o prognóstico, reduzindo a incidência de complicações infecciosas e a mortalidade, ao contrário do jejum prolongado, que é prejudicial.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e locais. Caracteriza-se por dor abdominal intensa em região epigástrica, frequentemente irradiando para o dorso, acompanhada de náuseas, vômitos, leucocitose e elevação significativa das enzimas pancreáticas, como amilase e lipase. As etiologias mais comuns incluem cálculos biliares e consumo excessivo de álcool. A fisiopatologia da pancreatite aguda envolve a ativação prematura de enzimas pancreáticas dentro do próprio órgão, levando à autodigestão do pâncreas e à liberação de mediadores inflamatórios. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos, laboratoriais (amilase e lipase > 3x o limite superior da normalidade) e de imagem. A avaliação da gravidade é crucial para guiar o manejo e identificar pacientes com maior risco de complicações. O tratamento da pancreatite aguda inclui suporte hidroeletrolítico vigoroso, analgesia adequada e, fundamentalmente, a reintrodução alimentar precoce. Ao contrário de práticas antigas que preconizavam o jejum prolongado, estudos atuais demonstram que a alimentação precoce, seja por via oral (se tolerada) ou enteral em casos mais graves, melhora o prognóstico, reduzindo a incidência de complicações infecciosas e a mortalidade. Antibióticos não são rotineiramente indicados, exceto em casos de infecção documentada ou necrose infectada.
A reintrodução alimentar precoce (oral ou enteral) na pancreatite aguda ajuda a manter a integridade da barreira intestinal, reduz a translocação bacteriana, diminui a resposta inflamatória sistêmica e, consequentemente, a incidência de complicações infecciosas e a mortalidade.
O uso rotineiro de antibióticos não é indicado na pancreatite aguda. Eles são reservados para casos de infecção documentada (necrose infectada, colangite) ou suspeita forte de infecção, guiados por cultura e exames de imagem.
Amilase e lipase são enzimas pancreáticas que se elevam na pancreatite aguda. A lipase é mais específica e permanece elevada por mais tempo que a amilase. Níveis de amilase ou lipase três vezes o limite superior da normalidade são diagnósticos, mas não se correlacionam com a gravidade da doença.
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