UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015
Mulher de 28 anos deu entrada ao atendimento de urgência apresentando dor intensa em andar superior do abdome, tipo facada, acompanhada de náuseas e vômitos. Após exame físico, foi feita hipótese diagnóstica inicial de pancreatite biliar, pois a mesma possuía diagnóstico de colelitíase há 6 meses (não operada). A paciente realizou os seguintes exames: amilase = 400 U/L, hematocrito = 29%, hemoglobina = 12 g/dl, leucócitos = 13.000/mm³, glicemia = 130 mg/100 ml, LDH =.15, AST=120 U/L, ALT= 80 U/L. Após 48 horas foi realizada nova amilase = 250 U/L. Foi submetida à tomografia de abdome com contraste endovenoso que evidenciou uma coleção peripancreática, mas com parênquima pancreático bem perfundido. Tendo em mente o caso clínico acima, assinale a assertiva CORRETA:
Pancreatite aguda: hidratação vigorosa e analgesia potente (morfina é segura).
O tratamento inicial da pancreatite aguda, independentemente da gravidade inicial, foca em hidratação vigorosa para prevenir hipovolemia e necrose, e analgesia potente para controle da dor intensa. A morfina é segura e eficaz, não sendo contraindicada como se pensava anteriormente devido a um suposto espasmo do esfíncter de Oddi.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, frequentemente associada à colelitíase ou ao alcoolismo. O caso clínico apresenta uma paciente com dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e elevação da amilase, com histórico de colelitíase, o que sugere uma pancreatite biliar. A avaliação inicial da gravidade é crucial para guiar o manejo. Os exames laboratoriais e a tomografia com contraste são importantes para o diagnóstico e estadiamento. Embora a amilase e lipase sejam marcadores importantes, seu nível não se correlaciona diretamente com a gravidade. Critérios como Ranson ou APACHE II, e a classificação de Atlanta, são utilizados para estratificar o risco. A presença de coleção peripancreática na TC, com parênquima bem perfundido, indica uma pancreatite com complicação local, mas sem necrose extensa, o que pode ser uma pancreatite moderadamente grave. O tratamento inicial é focado em medidas de suporte: hidratação intravenosa vigorosa para manter o volume intravascular e prevenir a isquemia pancreática, e analgesia adequada para controlar a dor intensa. A morfina é um analgésico eficaz e seguro, e a crença de que ela causa espasmo do esfíncter de Oddi clinicamente relevante e deve ser evitada não é mais sustentada pelas evidências atuais. O tratamento cirúrgico é reservado para complicações específicas, como necrose infectada ou coleções sintomáticas.
A conduta inicial na pancreatite aguda envolve hidratação intravenosa vigorosa para manter a perfusão e prevenir a necrose, e analgesia potente para controlar a dor intensa, que é um sintoma proeminente.
Sim, a morfina é um analgésico potente e seguro para o tratamento da dor na pancreatite aguda. A preocupação anterior com o espasmo do esfíncter de Oddi não é clinicamente significativa e não contraindica seu uso.
A gravidade da pancreatite aguda pode ser avaliada por critérios como Ranson, APACHE II, ou a classificação de Atlanta (leve, moderadamente grave, grave). A tomografia com contraste ajuda a identificar complicações como necrose e coleções.
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