FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Paciente, 60 anos, dá entrada na emergência trazido por seus familiares, que relatam que ele apresenta forte dor abdominal. Ao exame, contata-se desidratação, FC 110, sonolência e dor abdominal em região epigástrica. Exames laboratoriais mostram glicemia de 245 mg/dL, leucócitos aumentados, 20.000, e amilase e lipase aumentadas. A hipótese diagnóstica mais provável é
Dor epigástrica intensa + amilase/lipase >3x LSN + leucocitose = Pancreatite Aguda.
O quadro de dor abdominal epigástrica intensa, associado a elevação significativa de amilase e lipase (geralmente >3 vezes o limite superior da normalidade), leucocitose e sinais de resposta inflamatória sistêmica (taquicardia, desidratação), é clássico para o diagnóstico de pancreatite aguda. A hiperglicemia também pode ser um achado comum devido ao estresse metabólico.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, que pode variar de leve a fulminante, com alta morbidade e mortalidade. É uma emergência médica comum e o reconhecimento precoce é vital para um manejo adequado. O quadro clínico clássico envolve dor abdominal intensa, geralmente epigástrica, que pode irradiar para o dorso, acompanhada de náuseas, vômitos e, em casos mais graves, sinais de choque. O diagnóstico é primariamente clínico e laboratorial. A elevação das enzimas pancreáticas, amilase e lipase, para mais de três vezes o limite superior da normalidade, é um achado laboratorial crucial. A lipase é geralmente preferida por sua maior especificidade e sensibilidade. Achados como leucocitose, hiperglicemia e sinais de desidratação e taquicardia reforçam a suspeita e indicam a gravidade do processo inflamatório sistêmico. Para residentes, é fundamental saber diferenciar a pancreatite aguda de outras causas de dor abdominal, iniciar o suporte clínico adequado (hidratação venosa, analgesia) e investigar a etiologia para prevenir recorrências. A identificação precoce e o manejo agressivo são pilares para melhorar o prognóstico dos pacientes.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal aguda persistente e intensa, tipicamente em epigástrio com irradiação para o dorso; elevação da amilase e/ou lipase sérica para pelo menos três vezes o limite superior da normalidade; e achados característicos em exames de imagem (TC, RM ou ultrassonografia).
Amilase e lipase são enzimas pancreáticas que se elevam na pancreatite aguda devido à lesão das células acinares. A lipase é geralmente mais específica e sensível que a amilase, e sua elevação acima de 3 vezes o limite superior da normalidade é um critério diagnóstico chave. A amilase pode se elevar em outras condições não pancreáticas.
As duas causas mais comuns de pancreatite aguda são a litíase biliar (cálculos na vesícula que obstruem o ducto pancreático) e o consumo excessivo de álcool. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, hipercalcemia, trauma abdominal, medicamentos, infecções e causas idiopáticas.
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