CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2025
Paciente feminino, 45 anos, apresenta dor abdominal intensa há 8 horas, localizada em andar superior do abdome e irradiada para dorso, acompanhada de náuseas e vômitos intensos. Ao exame físico, o abdome encontra-se distendido, com dor à palpação do epigástrio, mas sem sinais de defesa abdominal. Os exames laboratoriais revelam amilase sérica de 900 U/L e lipase de 1100 U/L. A ultrassonografia de abdome mostra presença de microcálculos, sem evidência de colecistite. Qual é a conduta inicial mais apropriada para o manejo desta paciente?
Pancreatite aguda: dor epigástrica irradiada dorso + amilase/lipase ↑. Conduta inicial = hidratação IV, jejum, analgesia, antieméticos.
O quadro clínico de dor abdominal intensa em andar superior irradiada para o dorso, acompanhada de náuseas e vômitos, com amilase e lipase séricas elevadas (>3x o limite superior da normalidade), é altamente sugestivo de pancreatite aguda. A presença de microcálculos na ultrassonografia sugere etiologia biliar. A conduta inicial é de suporte, focando em hidratação venosa agressiva, jejum, analgesia potente e controle de náuseas e vômitos.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas, caracterizada por dor abdominal intensa e elevação das enzimas pancreáticas. As causas mais comuns são colelitíase (cálculos biliares) e alcoolismo. A incidência varia globalmente, mas é uma causa frequente de internação por dor abdominal aguda. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações graves, como necrose pancreática, falência de múltiplos órgãos e morte. O diagnóstico é estabelecido pela tríade de dor abdominal característica (epigástrica, irradiada para o dorso, tipo facada), elevação de amilase e/ou lipase séricas (pelo menos três vezes o limite superior da normalidade) e achados de imagem compatíveis. A ultrassonografia abdominal é útil para identificar cálculos biliares como causa. A fisiopatologia envolve a ativação prematura de enzimas digestivas dentro do pâncreas, levando à autodigestão do órgão. A avaliação da gravidade, por meio de escores como Ranson ou APACHE II, é importante para guiar o manejo. A conduta inicial é de suporte e inclui hidratação venosa agressiva (geralmente com Ringer Lactato), jejum oral para repouso pancreático, analgesia potente (opioides são frequentemente necessários) e antieméticos para controlar náuseas e vômitos. Antibióticos profiláticos não são recomendados rotineiramente. A CPRE é reservada para casos específicos de pancreatite biliar com colangite ou obstrução. A colecistectomia é geralmente realizada após a resolução do quadro agudo para prevenir recorrências em casos de pancreatite biliar.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiada para o dorso), elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem (TC ou USG).
A hidratação venosa agressiva é um pilar fundamental no manejo da pancreatite aguda. Ela visa repor perdas volêmicas devido a vômitos e sequestro de fluidos, melhorar a perfusão pancreática e sistêmica, e reduzir o risco de necrose pancreática e falência orgânica.
A CPRE de urgência é indicada na pancreatite aguda quando há evidência de colangite aguda concomitante (febre, icterícia, dor) ou obstrução biliar persistente, para desobstruir as vias biliares e prevenir complicações graves.
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