UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Paciente masculino, 38 anos, deu entrada no PA de um hospital com queixa de intensa dor epigástrica há cerca de dois dias. A dor tinha irradiação em faixa atingindo o dorso. Náuseas e vômitos nesses dois dias. Sem evacuar. Afebril. Referia passado de etilismo e usuário de cocaína. Estava em REG, consciente, fácies sofredora, desidratado, eupneico, PA 12x8 cm de HG, FC 96bpm. Abdome globoso, distendido, hipertimpânico, com dor à palpação superficial e profunda do epigástrio, sem peritonismo, RHA hipoativos. De entrada, tinha hemograma normal, TGO, TGP normais, GGT aumentada, bilirrubinas normais, amilase de 120 (normal 110), lipase 346 (normal 60), PCR 146 (normal 6), creatinina normal. Quanto a esse caso, assinale a opção correta.
Pancreatite Aguda: dor epigástrica em faixa + ↑ amilase/lipase. BISAP avalia gravidade: B=BUN>25, I=Impairment mental, S=SIRS, A=Age>60, P=Pleural effusion.
O diagnóstico de pancreatite aguda é confirmado pela elevação de amilase e lipase (>3x o LSN) em conjunto com a clínica. A classificação BISAP é uma ferramenta prognóstica precoce para avaliar a gravidade, sendo que um BISAP = 0 indica pancreatite leve, com baixo risco de mortalidade.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas, geralmente causada pela ativação prematura de enzimas digestivas dentro do próprio órgão. É uma condição potencialmente grave, com etiologias variadas, sendo as mais comuns a colelitíase e o etilismo. A dor epigástrica intensa com irradiração para o dorso é um sintoma clássico. O diagnóstico é feito pela clínica e pela elevação significativa da amilase e/ou lipase séricas (pelo menos 3 vezes o limite superior do normal). A lipase é geralmente mais específica e permanece elevada por mais tempo. A PCR elevada indica resposta inflamatória, mas não é diagnóstica por si só. A classificação da gravidade é crucial para o manejo. O BISAP (BUN > 25 mg/dL, Alteração do estado mental, SIRS, Idade > 60 anos, Derrame pleural) é uma ferramenta prognóstica simples e precoce. Um BISAP de 0-2 indica pancreatite leve, com baixa mortalidade. A tomografia computadorizada é reservada para casos de dúvida diagnóstica, ausência de melhora clínica ou suspeita de complicações.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior do normal, e achados de imagem compatíveis.
A escala BISAP (BUN > 25 mg/dL, Alteração do estado mental, SIRS, Idade > 60 anos, Derrame pleural) atribui um ponto para cada critério presente nas primeiras 24 horas, sendo que um escore de 0-2 indica pancreatite leve e 3-5, pancreatite moderada a grave.
Os principais fatores de risco incluem colelitíase (cálculos biliares), etilismo crônico, hipertrigliceridemia, trauma abdominal, certos medicamentos e, em alguns casos, o uso de cocaína.
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