DASA - Diagnósticos da América (SP) — Prova 2024
Paciente feminina, 42 anos, procura atendimento médico queixando-se de dor abdominal epigástrica intensa há 4 dias. Relata progressiva, que há 2 dias se associou a inúmeros episódios de vômitos. Nega febre. Nega diarreia. Nega trauma abdominal. É hipertensa, diabética tipo 2 e dislipidêmica, faz uso regular de ramipril, metformina e rosuvastatina. Há 1 semana iniciou uso de semaglutida, auto prescrita, após visualização de resultados pela internet. Ao exame físico: regular estado geral, corada, desidratada, taquipneica, ictérica +/4, acianótica, afebril. Sem alterações cardiopulmonares. Abdome levemente distendido, depressível, doloroso à palpação de flancos direito e esquerdo e epigástrio, sem sinais de irritação peritoneal. Exames séricos revelaram leucocitose, hemoconcentração, amilase e lipase aumentadas em três vezes o valor de referência e aumento discreto de marcadores de injúria hepática (ASL e ALT). Exames de função renal são normais. Realizou a tomografia abaixo. Assinale a principal hipótese diagnóstica.
Dor epigástrica + vômitos + amilase/lipase >3x VR + fatores de risco (semaglutida, dislipidemia) = Pancreatite Aguda.
O quadro clínico de dor epigástrica intensa irradiando para o dorso, vômitos, associado a elevação de amilase e lipase séricas em mais de três vezes o limite superior da normalidade, é diagnóstico de pancreatite aguda. A semaglutida é um fator de risco conhecido.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e alta mortalidade. É uma causa comum de dor abdominal aguda e requer reconhecimento e manejo rápidos. A epidemiologia mostra que as principais causas são a litíase biliar e o consumo excessivo de álcool, mas outras etiologias, como medicamentos (ex: semaglutida, tiazídicos), hipertrigliceridemia e hipercalcemia, também são importantes. O diagnóstico da pancreatite aguda baseia-se na tríade de dor abdominal epigástrica intensa, frequentemente irradiando para o dorso, associada a náuseas e vômitos; elevação das enzimas pancreáticas (amilase e/ou lipase) em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade; e achados de imagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética) compatíveis com inflamação pancreática. A lipase é geralmente mais específica e sensível que a amilase. A icterícia discreta pode ocorrer devido à compressão do ducto biliar comum pelo pâncreas edemaciado. O manejo inicial da pancreatite aguda é de suporte, incluindo hidratação intravenosa agressiva, analgesia e controle de náuseas e vômitos. A identificação e tratamento da causa subjacente são cruciais, como a colecistectomia para pancreatite biliar. A estratificação da gravidade, utilizando escores como Ranson ou APACHE II, ajuda a prever o prognóstico e guiar a conduta. A monitorização de complicações locais (necrose, pseudocisto) e sistêmicas (insuficiência orgânica) é fundamental.
O diagnóstico requer a presença de dois dos três critérios: dor abdominal epigástrica característica, elevação da amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis com pancreatite aguda.
A semaglutida, um agonista do receptor de GLP-1, tem sido associada a um risco aumentado de pancreatite aguda em alguns pacientes, embora o mecanismo exato não seja totalmente compreendido e a incidência seja baixa.
As causas mais comuns são litíase biliar (cálculos na vesícula biliar) e alcoolismo. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, hipercalcemia, trauma, medicamentos (como semaglutida), infecções e causas idiopáticas.
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