HRD - Hospital Rio Doce - Linhares (ES) — Prova 2020
Paciente Raimunda, 40 anos internada com dor abdominal difusa e vômitos. Exame clínico paciente taquicárdica, FC: 100bpm, eupneica e desidratada. PA: de 110 X 70mmHg. Os exames de laboratórios solicitados estavam normais leucograma mostra leucocitose de 17.000 leucócitos com desvio a esquerda e amilase de 3500 mgr/dl. Ultrassom mostra colelitíase. Sobre esse caso, é CORRETO afirmar que:
Pancreatite aguda: suporte volêmico + analgesia + nutrição enteral precoce.
A paciente apresenta quadro de pancreatite aguda biliar (colelitíase + amilase > 3x LSN). O manejo inicial foca em hidratação vigorosa, analgesia e, crucialmente, nutrição enteral precoce para manter a integridade da barreira intestinal e reduzir complicações.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial de morbimortalidade significativa. A etiologia mais comum é a biliar (colelitíase) ou alcoólica. O quadro clínico típico inclui dor abdominal intensa, vômitos e elevação de enzimas pancreáticas (amilase e lipase). O diagnóstico é baseado na presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, amilase/lipase > 3 vezes o limite superior da normalidade e achados de imagem compatíveis. A avaliação da gravidade é crucial, utilizando escores como Ranson, APACHE II ou os critérios de Atlanta, embora a resposta à reposição volêmica inicial seja um bom indicador. O manejo inicial foca em hidratação intravenosa vigorosa, analgesia adequada e nutrição. A nutrição enteral precoce (nas primeiras 24-48 horas) é a via preferencial, pois mantém a integridade da barreira intestinal e reduz complicações. A colecistectomia é indicada para pancreatite biliar após a resolução do quadro agudo, e a CPRE pode ser considerada em casos de colangite ou obstrução biliar persistente.
A reposição volêmica agressiva é um pilar fundamental no manejo inicial da pancreatite aguda, especialmente nas primeiras 24-48 horas. Ela visa combater a desidratação e a hipovolemia causadas pela perda de fluidos para o terceiro espaço, melhorando a perfusão orgânica e reduzindo o risco de necrose.
A tomografia computadorizada de abdômen com contraste não é indicada na admissão para todos os pacientes com pancreatite aguda. Ela é reservada para casos de dúvida diagnóstica, ausência de melhora clínica após 48-72 horas de tratamento ou suspeita de complicações como necrose ou coleções.
A nutrição enteral precoce é preferível porque mantém a integridade da barreira intestinal, previne a translocação bacteriana, reduz a resposta inflamatória sistêmica e tem menor custo e risco de complicações (como infecções de cateter) em comparação com a nutrição parenteral.
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