UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Menina, 18m, vem em primeira consulta na Unidade Básica de Saúde e mãe solicita prescrição de palivizumabe, pois soube que está sendo disponibilizado pelo SUS. Refere que a criança recebeu o anticorpo monoclonal no ano anterior em uma clínica particular. Criança nasceu a termo, com peso adequado, teve diagnóstico de cComunicação interventricular, com boa evolução. Nega uso de medicamentos. Vive com seus pais e não tem irmãos. Ambos os pais são não fumantes e a casa é mantida livre de fatores de risco ambientais. Frequenta creche há seis meses. Exame: peso e comprimento no percentil 50 (OMS), sem outras alterações. A conduta é:
Palivizumabe SUS = Prematuros <29 sem (1º ano) ou Cardiopatas/Pneumopatas graves (até 2 anos).
O Palivizumabe é uma imunização passiva com critérios estritos no SUS; crianças nascidas a termo sem cardiopatia hemodinamicamente instável não possuem indicação para o protocolo público.
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal agente etiológico da bronquiolite aguda e pneumonia em lactentes. O Palivizumabe atua ligando-se à proteína de fusão (proteína F) na superfície do vírus, impedindo sua entrada nas células do trato respiratório. No caso clínico apresentado, a criança nasceu a termo e possui uma Comunicação Interventricular (CIV) com 'boa evolução', o que sugere ausência de repercussão hemodinâmica significativa (como insuficiência cardíaca ou hipertensão pulmonar). Portanto, ela não se enquadra nos critérios técnicos de alto risco definidos pelo Ministério da Saúde. A frequência em creche, embora aumente a exposição viral, não é um critério de indicação para a profilaxia com o anticorpo monoclonal no sistema público.
De acordo com o Ministério da Saúde e a CONITEC, o Palivizumabe é indicado para: 1) Crianças nascidas prematuras com idade gestacional menor ou igual a 28 semanas e 6 dias, no primeiro ano de vida (até 11 meses e 29 dias); 2) Crianças com idade inferior a 2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade (displasia broncopulmonar) que necessitaram de tratamento nos últimos 6 meses; 3) Crianças com idade inferior a 2 anos com cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada.
O Palivizumabe não é uma vacina convencional, mas um anticorpo monoclonal de alto custo que oferece proteção temporária (imunização passiva) contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Devido ao seu custo elevado e à necessidade de aplicações mensais durante a sazonalidade do vírus, o uso é restrito aos grupos com maior risco de complicações graves, internações em UTI e óbito por bronquiolite, onde a relação custo-efetividade foi comprovada por estudos clínicos.
O medicamento é administrado por via intramuscular em até 5 doses mensais consecutivas durante o período de maior circulação do VSR (sazonalidade), que varia conforme a região do Brasil. Se a criança for hospitalizada por infecção pelo VSR durante o tratamento, as doses subsequentes devem ser mantidas conforme o cronograma original para garantir a proteção contra possíveis reinfecções ou outras cepas do vírus durante o restante da estação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo