IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2021
Mulher de 28 anos, com 38 semanas de idade gestacional interna em trabalho de parto. Cardiotocografia (CTG) mostrando padrão sinusoide. Ao exame: PA 120x80 mmHg, frequência cardíaca materna 88 bpm, tônus uterino normal, 3 contrações em 10 minutos com 40 segundos de duração (3/10'/40''), feto único, longitudinal, cefálico com dorso a esquerda, batimentos cardíacos fetais (BCF) 110bpm. Colo 6 cm dilatado, 70% apagado, bolsa íntegra. Após manobras de ressuscitação intrauterina, CTG manteve padrão sinusoide. Qual melhor conduta?
CTG padrão sinusoide persistente + BCF 110bpm = Sofrimento fetal grave → Cesariana imediata.
O padrão sinusoide na cardiotocografia é um sinal grave de sofrimento fetal, indicando anemia fetal severa, hipóxia grave ou acidose. A persistência desse padrão mesmo após manobras de ressuscitação intrauterina, associada à bradicardia fetal (BCF 110bpm), exige a interrupção imediata da gestação por cesariana para evitar danos neurológicos ou óbito fetal.
A cardiotocografia (CTG) é uma ferramenta essencial na monitorização fetal intraparto, permitindo a avaliação da vitalidade fetal através do registro da frequência cardíaca fetal (FCF) e da atividade uterina. Dentre os padrões de FCF, o padrão sinusoide é um achado raro, mas de extrema gravidade, indicando um comprometimento fetal significativo. Ele é caracterizado por uma linha de base estável com oscilações regulares, semelhantes a ondas senoidais, sem variabilidade de curto ou longo prazo, e ausência de acelerações ou desacelerações. Sua presença é classicamente associada a condições como anemia fetal severa (por exemplo, em casos de isoimunização Rh ou hemorragia feto-materna), hipóxia grave ou acidose fetal. Diante de um padrão sinusoide, a conduta inicial envolve a realização de manobras de ressuscitação intrauterina, que incluem a mudança de decúbito materno (preferencialmente para o lado esquerdo), hidratação venosa, oxigenoterapia materna e, se houver, a suspensão de ocitocina. O objetivo dessas manobras é otimizar o fluxo sanguíneo útero-placentário e a oxigenação fetal. No entanto, se o padrão sinusoide persistir após essas intervenções, como no caso clínico apresentado, e especialmente se associado a outros sinais de comprometimento fetal como a bradicardia (BCF 110bpm), a indicação é de interrupção imediata da gestação. A cesariana de emergência é a conduta mais apropriada nesses cenários, pois a demora na resolução pode resultar em danos neurológicos irreversíveis ou óbito fetal. Para residentes em obstetrícia, é crucial reconhecer a gravidade do padrão sinusoide e agir prontamente, priorizando a segurança fetal. A compreensão dos diferentes padrões de CTG e suas implicações clínicas é fundamental para a tomada de decisões rápidas e eficazes no trabalho de parto.
O padrão sinusoide é caracterizado por uma linha de base estável com oscilações regulares, semelhantes a ondas senoidais, com amplitude de 5 a 15 bpm e frequência de 2 a 5 ciclos por minuto, sem acelerações ou desacelerações.
O padrão sinusoide persistente é um sinal de sofrimento fetal grave, frequentemente associado a anemia fetal severa (ex: isoimunização Rh, hemorragia feto-materna), hipóxia ou acidose fetal, e requer intervenção imediata.
As manobras incluem mudança de decúbito materno (lateral esquerdo), hidratação venosa, oxigenoterapia materna, suspensão de ocitocina e, em alguns casos, tocolíticos, mas se o padrão sinusoide persistir, a cesariana é indicada.
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