Endotropia em V: Diagnóstico e Conduta Cirúrgica

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019

Enunciado

Criança de três anos apresenta endotropia (ET) de 20 dioptrias prismáticas (DP) em primária do olhar, ET 10 DP em supraversão e ET 30 DP em infraversão. Qual seria a melhor opção para a correção da incomitância ao longo do meridiano vertical?

Alternativas

  1. A) Transposição superior dos retos mediais.
  2. B) Debilitamento dos oblíquos superiores.
  3. C) Transposição inferior dos retos laterais.
  4. D) Debilitamento dos oblíquos inferiores.

Pérola Clínica

Endotropia em V (mais ET em infra que em supra) → Debilitamento de Oblíquos Inferiores.

Resumo-Chave

O padrão em V na endotropia é definido por uma diferença de pelo menos 15 DP entre a supra e a infraversão, sendo frequentemente corrigido pelo enfraquecimento dos oblíquos inferiores.

Contexto Educacional

O estudo das incomitâncias verticais no estrabismo é fundamental para o planejamento cirúrgico. O padrão em V é o mais comum e exige que o cirurgião avalie não apenas o desvio na posição primária do olhar, mas também as variações nas posições verticais. A regra prática indica que, na presença de hiperfunção de oblíquos inferiores, o tratamento deve focar neles. Além do enfraquecimento dos oblíquos, em casos onde não há hiperfunção muscular oblíqua evidente, pode-se optar pela transposição vertical dos músculos retos horizontais (músculo reto medial movido para o ápice do padrão, ou seja, para baixo no padrão em V). No entanto, a questão foca na opção clássica de debilitamento muscular.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o padrão em V na endotropia?

O padrão em V é uma forma de estrabismo incomitante onde a convergência (endotropia) aumenta significativamente no olhar para baixo (infraversão) em comparação com o olhar para cima (supraversão). Clinicamente, considera-se relevante uma diferença de 15 dioptrias prismáticas ou mais entre essas posições. Esse fenômeno está frequentemente associado à hiperfunção dos músculos oblíquos inferiores, que atuam como abdutores na supraversão; sua hiperfunção gera uma divergência relativa no olhar para cima, resultando em menos endotropia na supra e mais na infra.

Por que o debilitamento dos oblíquos inferiores é indicado?

O debilitamento dos músculos oblíquos inferiores é a conduta de escolha quando o padrão em V está associado à hiperfunção desses músculos. Como o oblíquo inferior tem uma ação secundária de abdução que é mais pronunciada na supraversão, seu enfraquecimento reduz essa força abdutora superior, ajudando a equalizar o desvio horizontal ao longo do meridiano vertical e reduzindo a incomitância entre a supra e a infraversão.

Qual a diferença entre padrão em V e padrão em A?

No padrão em V, a endotropia é maior na infraversão (olhar para baixo). No padrão em A, a endotropia é maior na supraversão (olhar para cima). A diferença diagnóstica é crucial, pois o padrão em A geralmente está associado à hiperfunção dos oblíquos superiores, exigindo uma abordagem cirúrgica completamente diferente, como o enfraquecimento dos oblíquos superiores ou a transposição horizontal dos retos mediais.

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