Manejo do Paciente Poliqueixoso na Atenção Primária à Saúde

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2020

Enunciado

Sobre o atendimento de pessoas que consultam frequentemente assinale a alternativa verdadeira:

Alternativas

  1. A) Deve-se através da corresponsabilização e gentilmente explicitar ao paciente poliqueixoso sobre a grande demanda de atendimento na atenção básica e que pelo princípio da equidade outros pacientes devem ter prioridade sobre este.
  2. B) Após exame detalhado e escuta livre e atenta, caso não encontre sinais importantes de disfunção orgânica estruturada, uma estratégia que ajuda na redução da ansiedade do paciente freses como ""as coisas que o o (a senhor (a está sentindo não tem maior importância no seu caso""
  3. C) Independente da presença de sinais e sintomas de disfunção orgânica deve ser sempre enfatizado junto ao paciente que há muito a se fazer do ponto de vista terapêutico.
  4. D) Cabe a boa relação médico-paciente o compartilhamento da limitação da função do MFC na compreensão do contexto e ralações com outros fatores adoecedores de cunho psicossocial que serão delegadas às outras classes profissionais que compõe a equipe de saúde.
  5. E) Todos os pacientes identificados nesta condição devem ser referenciados ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS para garantir melhor atendimento e compreensão dos problemas de base.

Pérola Clínica

Paciente poliqueixoso → validar sofrimento, focar no que pode ser feito, não minimizar.

Resumo-Chave

Pacientes com queixas frequentes e inespecíficas necessitam de uma abordagem empática e integral. É crucial validar o sofrimento, mesmo na ausência de disfunção orgânica clara, e focar nas possibilidades terapêuticas e de cuidado, fortalecendo a relação médico-paciente.

Contexto Educacional

O atendimento de pacientes com queixas frequentes e inespecíficas, muitas vezes referidos como 'poliqueixosos' ou com 'queixas somáticas', representa um desafio comum na Atenção Primária à Saúde (APS). Esses pacientes frequentemente buscam múltiplos profissionais e serviços, sem encontrar alívio para seu sofrimento, que é real, mesmo na ausência de uma disfunção orgânica estruturada. A abordagem deve ser centrada na pessoa, reconhecendo a complexidade da interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. A chave para um manejo eficaz reside na construção de uma forte relação médico-paciente, baseada na escuta ativa, na empatia e na validação do sofrimento. É fundamental evitar a minimização das queixas ou a rotulação do paciente. Em vez disso, deve-se enfatizar que, independentemente da etiologia, há sempre algo a ser feito do ponto de vista terapêutico, seja através de acompanhamento, psicoeducação, manejo de sintomas ou, quando indicado, o encaminhamento adequado. Para residentes, desenvolver habilidades de comunicação e uma perspectiva biopsicossocial é crucial. O médico de família e comunidade, em particular, desempenha um papel vital na coordenação do cuidado, integrando diferentes aspectos da saúde do paciente e evitando a fragmentação do atendimento. O objetivo é oferecer um cuidado contínuo, integral e humanizado, que promova a autonomia e o bem-estar do paciente.

Perguntas Frequentes

Como deve ser a abordagem inicial de um paciente poliqueixoso?

A abordagem inicial deve incluir uma escuta atenta e empática, um exame físico detalhado e a validação do sofrimento do paciente, mesmo que não haja uma causa orgânica evidente para todas as queixas.

Qual o papel da relação médico-paciente no manejo de queixas somáticas?

Uma boa relação médico-paciente, baseada na confiança e no respeito, é fundamental. Ela permite que o paciente se sinta acolhido e compreendido, facilitando a adesão a planos de cuidado que podem não ser apenas medicamentosos.

É sempre necessário encaminhar pacientes poliqueixosos para especialistas em saúde mental?

Não. Muitos pacientes poliqueixosos podem ser manejados na atenção primária com uma abordagem biopsicossocial, que inclui escuta qualificada, psicoeducação e acompanhamento longitudinal. O encaminhamento para especialistas deve ser individualizado.

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