Oxigenoterapia Hiperbárica na Insuficiência Arterial

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 87 anos, com insuficiência arterial de membros inferiores em tratamento conservador, fez uma ferida crônica em unha de hálux direito, após ir a podólogo, e está há dois meses em tratamento de infecção crônica local. Um tratamento que pode melhorar a cicatrização, nesse caso, consiste em:

Alternativas

  1. A) Elevação do membro.
  2. B) Terapia com gelo local.
  3. C) Terapia com oxigênio hiperbárico.
  4. D) Banhos com água morna ozonizada.

Pérola Clínica

Ferida isquêmica crônica refratária → Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB) ↑ angiogênese e cicatrização.

Resumo-Chave

Em pacientes com insuficiência arterial, a OHB aumenta a pressão parcial de oxigênio nos tecidos, estimulando a síntese de colágeno e a atividade bactericida, essencial para feridas hipóxicas.

Contexto Educacional

A insuficiência arterial periférica (IAP) resulta da redução do fluxo sanguíneo para os membros, geralmente por aterosclerose. Quando surgem feridas (úlceras isquêmicas), a hipóxia local impede os processos fisiológicos de reparo. A oxigenoterapia hiperbárica atua quebrando esse ciclo ao fornecer oxigênio em níveis suprafisiológicos. Estudos demonstram que a OHB reduz as taxas de amputação em pacientes com pé diabético e isquemia crítica. No contexto de um paciente idoso com ferida crônica pós-podólogo, a OHB surge como uma terapia adjuvante robusta para estimular a granulação e epitelização, especialmente quando o tratamento conservador falha.

Perguntas Frequentes

Como a oxigenoterapia hiperbárica auxilia na cicatrização?

A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) consiste na inalação de oxigênio a 100% em uma câmara pressurizada acima da pressão atmosférica. Isso resulta em um aumento significativo do oxigênio dissolvido no plasma, o que promove a hiperoxigenação dos tecidos isquêmicos. Esse processo estimula a proliferação de fibroblastos, a síntese de colágeno e a angiogênese (formação de novos vasos), além de potencializar a atividade fagocítica dos leucócitos contra bactérias, sendo fundamental para o fechamento de feridas crônicas que não respondem ao tratamento convencional.

Por que a elevação do membro é contraindicada na insuficiência arterial?

Diferente da insuficiência venosa, onde a elevação do membro favorece o retorno venoso e reduz o edema, na insuficiência arterial periférica a elevação do membro dificulta a chegada do sangue arterial já comprometido aos tecidos distais devido à gravidade. Isso pode agravar a dor isquêmica e a hipóxia tecidual. Pacientes com isquemia crítica frequentemente sentem alívio da dor ao deixar as pernas pendentes (posição de declive), o que favorece a perfusão por gravidade.

Quais as principais indicações da OHB na cirurgia vascular?

As principais indicações incluem o tratamento de úlceras de pé diabético (Wagner 3 ou superior), lesões isquêmicas crônicas que não cicatrizam após revascularização ou em pacientes sem possibilidade de revascularização, vasculites com comprometimento cutâneo, e gangrenas gasosas ou infecções necrotizantes de tecidos moles. A OHB é um tratamento adjuvante e não substitui o desbridamento cirúrgico ou o controle das doenças de base.

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