UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Homem, 87 anos, com insuficiência arterial de membros inferiores em tratamento conservador, fez uma ferida crônica em unha de hálux direito, após ir a podólogo, e está há dois meses em tratamento de infecção crônica local. Um tratamento que pode melhorar a cicatrização, nesse caso, consiste em:
Ferida isquêmica crônica refratária → Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB) ↑ angiogênese e cicatrização.
Em pacientes com insuficiência arterial, a OHB aumenta a pressão parcial de oxigênio nos tecidos, estimulando a síntese de colágeno e a atividade bactericida, essencial para feridas hipóxicas.
A insuficiência arterial periférica (IAP) resulta da redução do fluxo sanguíneo para os membros, geralmente por aterosclerose. Quando surgem feridas (úlceras isquêmicas), a hipóxia local impede os processos fisiológicos de reparo. A oxigenoterapia hiperbárica atua quebrando esse ciclo ao fornecer oxigênio em níveis suprafisiológicos. Estudos demonstram que a OHB reduz as taxas de amputação em pacientes com pé diabético e isquemia crítica. No contexto de um paciente idoso com ferida crônica pós-podólogo, a OHB surge como uma terapia adjuvante robusta para estimular a granulação e epitelização, especialmente quando o tratamento conservador falha.
A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) consiste na inalação de oxigênio a 100% em uma câmara pressurizada acima da pressão atmosférica. Isso resulta em um aumento significativo do oxigênio dissolvido no plasma, o que promove a hiperoxigenação dos tecidos isquêmicos. Esse processo estimula a proliferação de fibroblastos, a síntese de colágeno e a angiogênese (formação de novos vasos), além de potencializar a atividade fagocítica dos leucócitos contra bactérias, sendo fundamental para o fechamento de feridas crônicas que não respondem ao tratamento convencional.
Diferente da insuficiência venosa, onde a elevação do membro favorece o retorno venoso e reduz o edema, na insuficiência arterial periférica a elevação do membro dificulta a chegada do sangue arterial já comprometido aos tecidos distais devido à gravidade. Isso pode agravar a dor isquêmica e a hipóxia tecidual. Pacientes com isquemia crítica frequentemente sentem alívio da dor ao deixar as pernas pendentes (posição de declive), o que favorece a perfusão por gravidade.
As principais indicações incluem o tratamento de úlceras de pé diabético (Wagner 3 ou superior), lesões isquêmicas crônicas que não cicatrizam após revascularização ou em pacientes sem possibilidade de revascularização, vasculites com comprometimento cutâneo, e gangrenas gasosas ou infecções necrotizantes de tecidos moles. A OHB é um tratamento adjuvante e não substitui o desbridamento cirúrgico ou o controle das doenças de base.
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