HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2023
Paciente portador de DPOC apresenta-se com queixa de dispneia e SatO₂ de 80% ar ambiente. Instalado máscara reservatório com 15 litros de O₂/min, com aumento da SatO2 para 97%. O paciente evoluiu com piora do nível de consciência, acordando apenas aos estímulos vigorosos. Qual é a alteração gasométrica esperada nesse momento?
DPOC + O2 alto → ↓ drive respiratório → ↑ pCO₂ e acidose respiratória.
Em pacientes com DPOC crônico, o drive respiratório é primariamente estimulado pela hipoxemia. A administração excessiva de oxigênio pode suprimir esse drive, levando à hipoventilação, retenção de CO2 e piora da acidose respiratória, com consequente rebaixamento do nível de consciência.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva caracterizada por limitação do fluxo aéreo, frequentemente associada a uma resposta inflamatória anormal das vias aéreas e pulmões a partículas ou gases nocivos. Muitos pacientes com DPOC desenvolvem hipercapnia crônica devido à ventilação alveolar ineficaz. O manejo da exacerbação aguda, incluindo a oxigenoterapia, é um desafio clínico importante. Em pacientes com DPOC e retenção crônica de CO2, o drive respiratório é predominantemente mediado pela hipoxemia periférica, e não pelos quimiorreceptores centrais sensíveis ao CO2, que se tornam dessensibilizados. A administração de oxigênio em altas concentrações pode corrigir rapidamente a hipoxemia, removendo o principal estímulo para a respiração. Isso leva à hipoventilação, aumento da pCO2 (hipercapnia) e acidose respiratória, que pode resultar em rebaixamento do nível de consciência e até coma. Portanto, a oxigenoterapia em pacientes com DPOC deve ser administrada com cautela, utilizando fluxos e dispositivos que permitam um controle preciso da fração inspirada de oxigênio (FiO2), como a cânula nasal ou máscara de Venturi. O objetivo não é normalizar a SatO2, mas sim mantê-la em um nível seguro (geralmente 88-92%) para evitar a hipoxemia grave sem induzir hipercapnia significativa. A monitorização da gasometria arterial é essencial para guiar o tratamento.
Em pacientes com DPOC crônico, o centro respiratório se adapta à hipercapnia e o principal estímulo para a respiração passa a ser a hipoxemia. Oxigênio em excesso pode suprimir esse drive hipóxico, levando à hipoventilação e retenção de CO2.
O alvo de saturação de oxigênio geralmente recomendado para pacientes com DPOC é entre 88% e 92%, o suficiente para corrigir a hipoxemia sem suprimir o drive respiratório.
Sinais de hipercapnia incluem piora do nível de consciência (sonolência, letargia, coma), cefaleia, asterixis e, em casos graves, acidose respiratória com pH baixo e pCO2 elevada na gasometria.
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