UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Mulher, 45a, é trazida por familiares ao Pronto-Socorro por sonolência iniciada há 30 minutos. Exame físico: PA=102/74mmHg; FR=5irpm; FC=66bpm; T=36,3ºC e oximetria de pulso=90% em ar ambiente. Exame neurológico: pupilas mióticas; isocóricas; com leve resposta à luz; sem alterações neurológicas focais. Escala de coma de Glasgow: resposta verbal=2; resposta motora=4; abertura ocular=2. Ausculta pulmonar com raros roncos difusos. Glicemia capilar=122mg/dL. Iniciada ventilação com dispositivo bolsa-valva-máscara, enquanto se pondera a necessidade de intubação orotraqueal. A MEDICAÇÃO INTRAVENOSA INDICADA PARA ADMINISTRAÇÃO IMEDIATA É:
Sonolência, depressão respiratória, pupilas mióticas, Glasgow baixo → Overdose de opioides = Naloxone IV imediato.
O quadro clínico de sonolência súbita, depressão respiratória (FR 5irpm), bradicardia, pupilas mióticas e Glasgow baixo é altamente sugestivo de intoxicação por opioides. Nestes casos, a administração imediata de Naloxone intravenoso é a medida terapêutica mais importante e salvadora.
A sonolência súbita, acompanhada de depressão respiratória grave (FR 5irpm), bradicardia, pupilas mióticas e um baixo escore na Escala de Coma de Glasgow, configura um quadro clínico altamente sugestivo de overdose de opioides. Este é um cenário de emergência médica que exige reconhecimento imediato e intervenção rápida para evitar desfechos fatais, como parada cardiorrespiratória por hipóxia. A fisiopatologia da overdose de opioides envolve a ligação dos opioides aos receptores μ (mu) no sistema nervoso central, resultando em depressão do centro respiratório no tronco cerebral, miose e sedação. A depressão respiratória é a principal causa de morbimortalidade, levando à hipoxemia e hipercapnia. A história de uso de substâncias ou acesso a medicamentos opioides (prescritos ou ilícitos) reforça a suspeita. O manejo inicial foca na estabilização das vias aéreas e na reversão dos efeitos dos opioides. O suporte ventilatório com dispositivo bolsa-valva-máscara é crucial enquanto se avalia a necessidade de intubação orotraqueal. A medicação de escolha é o Naloxone, um antagonista competitivo dos receptores opioides, que reverte rapidamente a depressão respiratória e a sedação. Deve ser administrado por via intravenosa (ou intramuscular/intranasal se IV não disponível) o mais rápido possível, com doses repetidas se necessário, até a reversão dos sintomas.
A tríade clássica da overdose de opioides consiste em depressão respiratória (bradipneia ou apneia), miose (pupilas puntiformes) e alteração do nível de consciência (sonolência, estupor ou coma).
O Naloxone é um antagonista competitivo dos receptores opioides, revertendo rapidamente os efeitos dos opioides, especialmente a depressão respiratória. Sua ação é rápida e pode ser administrado por diversas vias, sendo crucial em emergências.
O suporte ventilatório, inicialmente com bolsa-valva-máscara e, se necessário, intubação orotraqueal, é vital para garantir a oxigenação e ventilação adequadas, prevenindo hipóxia e hipercapnia, que são as principais causas de morbimortalidade na overdose de opioides.
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