Ototoxicidade por Gentamicina: Diagnóstico e Sinais

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024

Enunciado

Um homem de 62 anos de idade procura a clínica com queixa de quedas frequentes. A queixa é de sensação de perda de equilíbrio. Nega vertigem ou sintomas ortostáticos, porém, queixa-se de instabilidade no escuro e ao fechar os olhos. Refere também dificuldade de focar na leitura no trajeto para o trabalho de ônibus. Recentemente, completou ciclo de 6 semanas de antibioticoterapia para bacteremia por enterococos faecalis com endocardite. Ao exame, são observadas sacadas corretivas bilateralmente no teste do impulso da cabeça. Qual fármaco pode ter sido o provável causador da instabilidade da marcha desse paciente?

Alternativas

  1. A) Ceftriaxona.
  2. B) Ampicilina.
  3. C) Vancomicina.
  4. D) Penicilina.
  5. E) Gentamicina

Pérola Clínica

Aminoglicosídeos (Gentamicina) → Ototoxicidade vestibular → Instabilidade, sacadas corretivas.

Resumo-Chave

A gentamicina, um aminoglicosídeo, é um fármaco conhecido por sua ototoxicidade, especialmente vestibular. Sintomas como instabilidade da marcha, dificuldade de foco visual em movimento (oscilopsia) e sacadas corretivas no teste do impulso da cabeça são clássicos de vestibulopatia bilateral induzida por drogas.

Contexto Educacional

A ototoxicidade é um efeito adverso significativo de certos medicamentos, sendo os aminoglicosídeos, como a gentamicina, os mais notórios por causar danos ao sistema vestibular e/ou coclear. A gentamicina é frequentemente utilizada no tratamento de infecções graves, incluindo endocardite por Enterococcus faecalis, onde ciclos prolongados podem aumentar o risco de toxicidade. A compreensão desses efeitos é crucial para a segurança do paciente e para o diagnóstico diferencial de distúrbios de equilíbrio. A vestibulopatia bilateral induzida por aminoglicosídeos manifesta-se por sintomas como instabilidade da marcha, especialmente em ambientes escuros ou com os olhos fechados (sinal de Romberg positivo), e oscilopsia, que é a sensação de que o ambiente se move durante o movimento da cabeça, devido à falha do reflexo vestíbulo-ocular. Ao exame físico, o teste do impulso da cabeça (HIT) revela sacadas corretivas bilaterais, um sinal patognomônico de disfunção vestibular periférica bilateral. O diagnóstico precoce é fundamental para a interrupção do fármaco e para a reabilitação vestibular. O manejo da ototoxicidade envolve a suspensão do agente causador, se possível, e a reabilitação vestibular para ajudar o paciente a compensar a perda de função. Residentes devem estar cientes dos fatores de risco para ototoxicidade (duração do tratamento, dose, função renal, uso concomitante de outros ototóxicos) e monitorar os pacientes adequadamente, especialmente aqueles em terapia prolongada com aminoglicosídeos. A prevenção é a melhor abordagem, utilizando a menor dose eficaz pelo menor tempo possível e monitorando os níveis séricos do fármaco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da ototoxicidade vestibular por gentamicina?

Os sintomas incluem instabilidade da marcha, tontura, vertigem, oscilopsia (dificuldade de focar objetos em movimento), e piora da instabilidade no escuro ou ao fechar os olhos. A perda auditiva também pode ocorrer, mas a vestibulopatia é mais comum com gentamicina.

Como o teste do impulso da cabeça auxilia no diagnóstico de vestibulopatia?

O teste do impulso da cabeça (Head Impulse Test - HIT) avalia a função do reflexo vestíbulo-ocular. Em pacientes com vestibulopatia, ao girar rapidamente a cabeça do paciente para um lado, os olhos não conseguem manter o foco no alvo, realizando sacadas corretivas para realinhar o olhar.

Quais outros medicamentos podem causar ototoxicidade?

Além dos aminoglicosídeos (gentamicina, amicacina, tobramicina), outros fármacos otóxicos incluem diuréticos de alça (furosemida em altas doses), salicilatos (aspirina em doses elevadas), quimioterápicos (cisplatina) e alguns macrolídeos (eritromicina).

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