FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Paciente, 4 anos, hígido, apresentou quadro de otite média aguda, que foi adequadamente tratada, porém o paciente persistia com secreção. Após avaliação, foi diagnosticado com otite média com efusão. Em relação ao tratamento, assinale a alternativa correta:
Otite Média com Efusão (OME) → Conduta inicial expectante (3 meses) se sem sinais de gravidade.
A OME é caracterizada por líquido na orelha média sem sinais de infecção aguda; a maioria dos casos resolve-se espontaneamente, não justificando o uso de antibióticos ou anti-histamínicos.
A Otite Média com Efusão (OME) é extremamente comum na infância, atingindo o pico de incidência entre 2 e 5 anos. A fisiopatologia está intimamente ligada à disfunção da tuba auditiva e à hipertrofia de adenoides. O principal desafio clínico é diferenciar a OME da OMA para evitar o uso desnecessário de antibióticos. A avaliação audiológica (audiometria e imitanciometria) é essencial em casos persistentes para quantificar a perda auditiva e guiar a necessidade de intervenção cirúrgica.
A Otite Média Aguda (OMA) caracteriza-se por início súbito de sinais e sintomas de inflamação e infecção da orelha média (dor, febre, abaulamento da membrana timpânica). Já a Otite Média com Efusão (OME) é a presença de líquido na orelha média sem sinais ou sintomas de infecção aguda. A OME frequentemente segue um episódio de OMA ou ocorre devido à disfunção da tuba auditiva, manifestando-se principalmente com perda auditiva condutiva leve a moderada.
A história natural da OME mostra que cerca de 75% a 90% dos casos resolvem-se espontaneamente dentro de 3 meses. Estudos clínicos robustos demonstraram que antibióticos, anti-histamínicos e descongestionantes não aceleram a resolução da efusão nem previnem complicações a longo prazo. Portanto, a recomendação atual é a observação clínica por 3 meses, monitorando a audição e a integridade da membrana timpânica.
A cirurgia para colocação de tubos de ventilação (miringotomia com tubo) está indicada quando a efusão persiste por mais de 3 meses (OME crônica) e está associada a perda auditiva significativa (geralmente > 20-40 dB), atraso de fala/linguagem, alterações estruturais da membrana timpânica (como bolsas de retração) ou em crianças com alto risco de prejuízo educacional devido à audição reduzida.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo