CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2023
Menina, 3 anos, frequenta creche. há 3 dias com congestão nasal, rinorreia hialina, espirros frequentes, odinofagia, tosse seca e otalgia intensa. Hoje iniciou quadro de febre alta não aferida e os olhos amanheceram com muita secreção purulenta. Mãe nega vômitos, diarreia, alergias e uso de antibióticos nos últimos 3 meses. Vacinação atualizada. Pai é asmático. Mãe tem diabetes. Ao exame físico: consciente, fácies de dor, eupneica. Olhos com abundante secreção amarela de consistência espessa. Frequência respiratória 25 irpm. Ausculta pulmonar: murmúrio vesicular fisiológico, ausência de estertores. Orofaringe: hipertrofia de tonsilas grau 2/3 com hiperemia. Otoscopia: abaulamento da membrana timpânica bilateralmente. Ausculta cardíaca: bulhas normofonéticas, ausência de sopros. Abdome flácido, sem visceromegalias. De acordo com o quadro clínico acima, assinale a alternativa correta:
Criança com febre alta, otalgia intensa, abaulamento timpânico bilateral + conjuntivite purulenta → OMA grave + Conjuntivite bacteriana = ATB oral imediato.
Em crianças, a presença de otalgia intensa, febre alta e abaulamento da membrana timpânica bilateralmente, associada a conjuntivite bacteriana, configura um quadro de Otite Média Aguda (OMA) com sinais de gravidade. Nesses casos, a antibioticoterapia oral com amoxicilina (ou amoxicilina-clavulanato, dependendo do contexto) deve ser iniciada imediatamente, com reavaliação em 48-72 horas.
A Otite Média Aguda (OMA) e a conjuntivite bacteriana são infecções comuns na infância, especialmente em crianças que frequentam creches. O quadro clínico de febre alta, otalgia intensa, abaulamento da membrana timpânica bilateralmente e secreção purulenta nos olhos é altamente sugestivo de OMA grave e conjuntivite bacteriana, exigindo uma conduta terapêutica rápida e eficaz. A OMA é uma das principais causas de prescrição de antibióticos em pediatria. A escolha do antibiótico e o momento de iniciar o tratamento são cruciais. Em casos de OMA com sinais de gravidade, como os apresentados, a antibioticoterapia oral deve ser iniciada imediatamente. A amoxicilina é a primeira escolha, mas a associação com inibidor de betalactamase (amoxicilina-clavulanato) pode ser considerada em situações de maior risco de resistência ou gravidade, como a bilateralidade e a intensidade dos sintomas. Para a conjuntivite bacteriana, colírios antibióticos são a base do tratamento. No entanto, em um contexto de infecção sistêmica (OMA grave), a antibioticoterapia oral também pode ter efeito sobre a conjuntivite. É fundamental que residentes saibam identificar os sinais de gravidade e as indicações para o tratamento antibiótico imediato, bem como o acompanhamento do paciente para avaliar a resposta terapêutica.
A antibioticoterapia imediata é indicada em crianças com OMA se houver sinais de gravidade, como febre alta (>39°C), otalgia intensa, bilateralidade da infecção, idade inferior a 6 meses, ou em casos de OMA com otorreia. A presença de conjuntivite bacteriana concomitante também reforça a necessidade de tratamento.
A amoxicilina é o antibiótico de primeira escolha para OMA em crianças. A associação com inibidor de betalactamase (amoxicilina-clavulanato) é considerada em casos de falha terapêutica após 48-72 horas de amoxicilina, em pacientes com OMA grave, ou naqueles com fatores de risco para resistência bacteriana, como uso recente de antibióticos ou frequência à creche.
A conjuntivite bacteriana geralmente se manifesta com secreção purulenta espessa, que pode causar pálpebras grudadas ao acordar, e pode ser unilateral ou bilateral. A conjuntivite viral, por outro lado, costuma apresentar secreção mais aquosa ou mucopurulenta, hiperemia e pode estar associada a sintomas de infecção de vias aéreas superiores, sendo frequentemente bilateral.
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