SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Menina, 3 anos de idade, tem picos febris há 60 horas, coriza hialina e tosse. Acordou a noite chorando por dor de ouvido. Foi atendida em serviço de urgência, no exame físico está hidratada, eupneica, tem hiperemia em cavo e abaulamento de membrana timpânica direita. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Foi feito diagnóstico de otite média aguda e prescrito amoxicilina 50 mg/kg/dia por 7 dias e limpeza de secreções com soro fisiológico. Voltou para casa dormindo e iniciou medicação pela manhã. Apresentou temperatura 38 ºC e, à tarde, a mãe notou saída de líquido do ouvido direito. Retornou ao médico que observou líquido fino e amarelado em conduto, optou por não realizar aspiração. A conduta indicada ao quadro apresentado é:
OMA + Otorreia súbita = Perfuração timpânica; manter ATB e reavaliar em 10 dias.
A otorreia na OMA indica drenagem espontânea por perfuração da membrana timpânica; não exige mudança de antibiótico se o paciente estiver clinicamente estável.
A Otite Média Aguda (OMA) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, frequentemente precedida por uma infecção de vias aéreas superiores. O quadro clínico clássico envolve otalgia súbita, febre e abaulamento da membrana timpânica à otoscopia. A perfuração espontânea da membrana timpânica ocorre devido à isquemia e pressão exercida pelo exsudato purulento, resultando em otorreia e, frequentemente, alívio imediato da dor. A conduta frente à otorreia em um paciente que já iniciou antibioticoterapia adequada (Amoxicilina 50-90 mg/kg/dia) é a manutenção do tratamento e observação. A maioria das perfurações timpânicas agudas secundárias à OMA cicatriza espontaneamente em poucas semanas. É crucial orientar os pais a não introduzirem hastes flexíveis ou líquidos no conduto auditivo e manter o acompanhamento para garantir a resolução da efusão e o fechamento da membrana.
Não necessariamente. A otorreia (saída de secreção) é uma evolução comum da OMA, ocorrendo quando a pressão do pus no ouvido médio rompe a membrana timpânica. Se o paciente iniciou o tratamento recentemente e não apresenta sinais de gravidade (como febre persistente ou prostração), a conduta é manter o antibiótico e observar a cicatrização espontânea.
Em casos de OMA com perfuração, o foco principal continua sendo o tratamento sistêmico. Gotas otológicas podem ser usadas em situações específicas, mas deve-se evitar rigorosamente substâncias ototóxicas (como neomicina ou gentamicina) se houver comunicação com o ouvido médio. No caso clínico, a manutenção do tratamento oral é suficiente.
Para crianças menores de 2 anos ou com quadros graves (incluindo perfuração timpânica), o tempo recomendado de antibioticoterapia é geralmente de 10 dias. Em crianças maiores de 2 a 5 anos com quadros leves a moderados, períodos de 7 dias podem ser aceitáveis, mas a reavaliação é fundamental.
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