Otite Média Aguda em Crianças: Guia de Tratamento

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022

Enunciado

Bebê do sexo masculino, com 15 meses de idade, apresenta febre de 39 graus, irritabilidade e choro constante há 48 horas. Leva sua mão ao ouvido quando chora. No exame físico, estava eupneico, com hiperemia de orofaringe e, na otoscopia, apresentou abaulamento da membrana timpânica bilateral. Essa é a primeira vez que essa criança fica doente. Ainda não frequenta creche e não tem doenças de base. Além de prescrever antitérmicos, qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Não dar antibióticos se a criança puder ser acompanhada ambulatorialmente.
  2. B) Aplicar ciprofloxacino e hidrocortisona, na forma de gotas otológicas (uso tópico).
  3. C) Prescrever amoxicilina, na dose padrão de 45 mg/kg, por via oral.
  4. D) Prescrever amoxicilina, dose “dobrada” de 90 mg/kg, por via oral.
  5. E) Prescrever amoxicilina, dose “dobrada” de 90 mg/kg associada ao clavulanato, por via oral.

Pérola Clínica

OMA bilateral em criança <2 anos sem fatores de risco → Amoxicilina 45 mg/kg/dia.

Resumo-Chave

Em crianças < 2 anos com OMA bilateral ou OMA unilateral grave, o tratamento antibiótico é indicado. Para casos sem fatores de risco para resistência, a amoxicilina na dose padrão é a primeira escolha, cobrindo os patógenos mais comuns como S. pneumoniae e H. influenzae.

Contexto Educacional

A Otite Média Aguda (OMA) é uma das infecções mais comuns na infância, sendo uma causa frequente de consultas pediátricas e prescrição de antibióticos. Sua importância clínica reside no potencial de complicações e no uso racional de antimicrobianos. A epidemiologia mostra que a maioria das crianças terá pelo menos um episódio de OMA antes dos 3 anos de idade, com pico de incidência entre 6 e 18 meses. O diagnóstico da OMA é clínico, baseado na otoscopia, que revela abaulamento da membrana timpânica, opacificação, hiperemia e/ou nível líquido. A fisiopatologia envolve disfunção da tuba auditiva, levando ao acúmulo de secreção no ouvido médio, que pode ser colonizada por bactérias, principalmente Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae não tipável e Moraxella catarrhalis. A suspeita deve surgir em crianças com febre, irritabilidade, otalgia e choro constante, especialmente se levarem a mão ao ouvido. O tratamento da OMA pode ser expectante em casos selecionados, mas a antibioticoterapia é frequentemente necessária. A amoxicilina é a primeira escolha, na dose padrão de 45 mg/kg/dia para casos sem fatores de risco para resistência. A dose "dobrada" de 90 mg/kg/dia é reservada para OMA grave, falha terapêutica ou fatores de risco. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a recorrência é comum. É crucial diferenciar OMA de otite média com efusão, que não requer antibióticos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar antibiótico na OMA em crianças?

O tratamento antibiótico é indicado para crianças < 6 meses com OMA, crianças de 6 meses a 2 anos com OMA bilateral ou OMA unilateral grave, e crianças > 2 anos com OMA grave.

Qual a dose inicial de amoxicilina para OMA em crianças sem fatores de risco?

A dose padrão de amoxicilina para OMA em crianças sem fatores de risco para S. pneumoniae resistente é de 45 mg/kg/dia, dividida em duas doses, por 7 a 10 dias.

Quando a amoxicilina em dose dobrada (90 mg/kg/dia) é indicada na OMA?

A dose dobrada é indicada para falha terapêutica após 48-72h de dose padrão, OMA grave (febre alta, otalgia intensa), ou em crianças com fatores de risco para S. pneumoniae resistente (ex: uso recente de ATB, creche).

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