AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
A história natural da otite média aguda (OMA) indica que a resolução natural espontânea ocorre em mais de 80% dos casos, com melhora sem antibióticos, e geralmente não ocorrem complicações. Sobre as recomendações do uso de antibióticos na OMA em crianças, analise as afirmativas abaixo: I. Dar antibiótico para OMA que seja bilateral ou unilateral em crianças com 6 meses de idade ou mais, com sinais e sintomas graves (otalgia importante e temperatura alta) ou com sintomas há pelo menos 48 horas. II. Dar antibiótico na OMA bilateral em crianças com menos de 24 meses de idade sem sinais de gravidade (otalgia moderada há menos de 48 horas e temperatura < 39º). III. Caso se decida tratar a OMA não complicada com um antimicrobiano a medicação de escolha inicial é amoxicilina associada a clavulanato. Sobre esta situação selecione a opção correta:
OMA bilateral < 24 meses ou sintomas graves → Antibiótico; 1ª escolha = Amoxicilina simples.
A conduta expectante é válida para OMA unilateral não grave em crianças > 6 meses, mas a bilateralidade em lactentes jovens (< 2 anos) exige tratamento imediato.
O manejo da Otite Média Aguda (OMA) em pediatria busca equilibrar o tratamento eficaz com a prevenção do uso excessivo de antibióticos. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Academia Americana de Pediatria (AAP) enfatizam que crianças com menos de 2 anos e OMA bilateral apresentam maior taxa de falha na resolução espontânea, justificando o tratamento imediato. A escolha da Amoxicilina como primeira linha baseia-se na sua eficácia contra o pneumococo e excelente penetração na orelha média. A falha do tratamento é definida pela persistência de sintomas após 3 dias, momento em que se considera a substituição por Amoxicilina-Clavulanato ou Ceftriaxone.
A observação (conduta expectante por 48-72h) é permitida em crianças acima de 6 meses com OMA unilateral e sintomas leves (otalgia leve e febre < 39°C). Para crianças entre 6 e 23 meses, se a OMA for unilateral e não grave, a observação é uma opção. No entanto, se houver piora ou não houver melhora em 48-72 horas, o antibiótico deve ser iniciado. Essa estratégia visa reduzir o uso desnecessário de antimicrobianos, já que a maioria das OMAs tem resolução espontânea.
A Amoxicilina em dose alta (80-90 mg/kg/dia) é a primeira escolha porque cobre eficazmente o Streptococcus pneumoniae, o principal patógeno bacteriano da OMA, mesmo com resistência intermediária à penicilina. O Clavulanato é adicionado apenas se houver falha terapêutica após 48-72h, uso de antibiótico nos últimos 30 dias, ou conjuntivite purulenta associada (sugerindo H. influenzae produtor de beta-lactamase). O uso indiscriminado de clavulanato aumenta efeitos colaterais como diarreia e induz resistência desnecessária.
Os critérios de gravidade incluem: otalgia moderada a grave, dor persistente por mais de 48 horas ou febre igual ou superior a 39°C. Na presença de qualquer um desses sinais, o tratamento com antibiótico está indicado imediatamente, independentemente da idade (acima de 6 meses) ou se a infecção é unilateral ou bilateral. Em lactentes menores de 6 meses, o tratamento antibiótico é sempre indicado devido ao maior risco de complicações supurativas e disseminação sistêmica.
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