Otite Média Aguda Pediátrica: Quando Observar e Tratar a Dor

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

quadro de obstrução nasal, associado à rinorreia com coriza hialina. A mãe refere que há 3 horas o paciente queixa-se de otalgia leve em ouvido direito e apresentou um pico isolado de febre de 38,0 °C que cessou com a medicação anti-térmica. Exame físico: bom estado geral, com sinais vitais normais para a faixa etária, nota-se abaulamento e hiperemia da membrana timpânica à esquerda. Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada neste momento.

Alternativas

  1. A) Iniciar tratamento com Azitromicina e Prednisona.
  2. B) Caso a família esteja de acordo, pode-se realizar tratamento da dor com analgésicos e reavaliar em até 72 horas.
  3. C) Iniciar tratamento com Prednisolona e reavaliar em até 72 horas.
  4. D) Orientar apenas lavagem nasal com soro fisiológico e inalação com soro fisiológico.
  5. E) Indicar realização de Ceftriaxone 50 mg/kg/dia por 3 dias.

Pérola Clínica

OMA não grave em crianças: Observação com analgésicos por 48-72h é conduta inicial válida se família concorda.

Resumo-Chave

Em casos de Otite Média Aguda (OMA) não grave (otalgia leve, febre <39°C, unilateral em crianças >2 anos), a conduta de observação vigilante com manejo da dor por 48-72 horas é uma opção segura e recomendada, especialmente para reduzir o uso desnecessário de antibióticos. A reavaliação é crucial para decidir sobre a antibioticoterapia se houver piora ou persistência dos sintomas.

Contexto Educacional

A Otite Média Aguda (OMA) é uma das infecções mais comuns na infância, caracterizada por inflamação e efusão no ouvido médio, geralmente de origem bacteriana ou viral. É uma causa frequente de visitas ao pediatra e de prescrição de antibióticos. A prevalência é maior em crianças menores de 2 anos, e fatores como infecções respiratórias virais, exposição à fumaça de cigarro e não amamentação aumentam o risco. A fisiopatologia da OMA envolve a disfunção da tuba auditiva, que leva ao acúmulo de secreções no ouvido médio, criando um ambiente propício para o crescimento bacteriano. Os principais agentes etiológicos são *Streptococcus pneumoniae*, *Haemophilus influenzae* não tipável e *Moraxella catarrhalis*. O diagnóstico é clínico, baseado na otoscopia, que revela abaulamento, hiperemia e perda de mobilidade da membrana timpânica, associados a sinais e sintomas de infecção aguda. A conduta atual para OMA tem evoluído para uma abordagem mais conservadora em casos não graves, visando reduzir a resistência antimicrobiana. A 'observação vigilante' com manejo da dor por 48-72 horas é recomendada para crianças maiores de 6 meses com OMA não grave, desde que haja acompanhamento e a família esteja de acordo. Antibióticos são reservados para casos graves, crianças menores de 6 meses, ou falha da observação. O tratamento da dor com analgésicos é essencial em todos os casos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar a Otite Média Aguda (OMA) como 'não grave' em crianças?

A OMA é considerada não grave quando a criança apresenta otalgia leve, febre abaixo de 39°C, e é unilateral em crianças de 6 a 23 meses, ou unilateral/bilateral em crianças com 2 anos ou mais. Nesses casos, a observação vigilante pode ser uma opção.

Quando a antibioticoterapia é indicada imediatamente para OMA em crianças?

Antibióticos são indicados imediatamente para OMA em crianças menores de 6 meses, em qualquer idade com OMA grave (otalgia moderada a grave, febre ≥ 39°C, ou otorreia), ou em crianças de 6 a 23 meses com OMA bilateral, independentemente da gravidade da otalgia.

Qual o papel dos analgésicos no manejo da Otite Média Aguda?

Os analgésicos e antipiréticos (como paracetamol ou ibuprofeno) são fundamentais no manejo da OMA, independentemente da decisão de usar antibióticos. Eles aliviam a dor e a febre, proporcionando conforto à criança e permitindo que a família concorde com a estratégia de observação vigilante.

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