Otite Média Aguda em Crianças: Conduta e Tratamento

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mãe traz o filho de 1 ano e 8 meses no pronto atendimento. Relata que a criança está há 2 dias com congestão nasal, rinorreia catarral e irritada. Hoje começou com otalgia leve em orelha direita, febre (38,1 C). Nega episódios semelhantes anteriores. A criança é alérgica a amoxacilina. Ao exame físico apresenta cornetos nasais hipertróficos e hiperemiados e membrana timpânica direita com hiperemia em cabo do martelo e aumento da vascularização radiada. Qual a melhor opção de tratamento nesse caso?

Alternativas

  1. A) Ceftriaxona em dose única com analgesia associada.
  2. B) Sintomáticos e orientar reavaliação em 48 horas
  3. C) Azitromicina associado a sintomáticos por 5 dias
  4. D) Timpanotomia associado a corticoide sistêmico

Pérola Clínica

OMA não grave em criança > 6 meses → Sintomáticos + reavaliação em 48-72h (watchful waiting).

Resumo-Chave

Em crianças com Otite Média Aguda (OMA) não grave (febre <39°C, otalgia leve, sem otorreia), especialmente aquelas com mais de 6 meses, a conduta inicial de observação com tratamento sintomático por 48-72 horas é uma opção segura e recomendada, evitando o uso desnecessário de antibióticos.

Contexto Educacional

A Otite Média Aguda (OMA) é uma das infecções mais comuns na infância, sendo uma causa frequente de visitas ao pronto-socorro e prescrição de antibióticos. É crucial que o residente saiba diferenciar os casos que necessitam de antibioticoterapia imediata daqueles que podem ser manejados com conduta expectante. A fisiopatologia da OMA geralmente envolve uma infecção viral respiratória superior que leva à disfunção da tuba auditiva, resultando em acúmulo de secreção e proliferação bacteriana no ouvido médio. Os principais agentes etiológicos são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae não tipável e Moraxella catarrhalis. O diagnóstico é clínico, baseado em otalgia, febre e achados otoscópicos como abaulamento e hiperemia da membrana timpânica. Para crianças com OMA não grave (idade > 6 meses, otalgia leve, febre < 39°C), a conduta expectante com tratamento sintomático (analgésicos/antitérmicos) e reavaliação em 48-72 horas é uma opção segura e recomendada, especialmente para reduzir o uso desnecessário de antibióticos e a resistência bacteriana. Em casos de alergia à amoxicilina e necessidade de antibiótico, outras opções incluem cefalosporinas ou azitromicina, mas sempre avaliando a gravidade e a necessidade real. O manejo adequado da OMA é um tópico fundamental para a prática pediátrica e para exames de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar uma Otite Média Aguda (OMA) como 'não grave' em crianças?

Uma OMA é considerada não grave quando a criança tem mais de 6 meses de idade, apresenta otalgia leve a moderada, febre abaixo de 39°C e não há otorreia. A ausência de abaulamento significativo da membrana timpânica também pode indicar menor gravidade.

Quando a conduta expectante (observação com sintomáticos) é apropriada para OMA?

A conduta expectante é apropriada para crianças com OMA não grave, especialmente aquelas com idade entre 6 meses e 2 anos com sintomas unilaterais, ou crianças com mais de 2 anos com sintomas unilaterais ou bilaterais. Deve-se orientar os pais sobre os sinais de piora e a necessidade de reavaliação em 48-72 horas.

Quais são as opções de tratamento para otalgia em crianças com OMA?

Para alívio da otalgia, podem ser utilizados analgésicos e antitérmicos como paracetamol ou ibuprofeno. Gotas otológicas anestésicas tópicas podem ser consideradas, mas não substituem a analgesia sistêmica e devem ser usadas com cautela se houver perfuração da membrana timpânica.

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