USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Lactente de 5 meses, sexo masculino, com quadro de febre de até 38,2°C associada à tosse e à coriza que se iniciaram três dias antes da admissão hospitalar. Ao exame clínico da entrada, estava em bom estado geral, corado, hidratado, taquidispneico com frequência respiratória de 70 movimentos/minuto, saturação em ar ambiente de 89% e frequência cardíaca de 148 bpm. Ausculta pulmonar com estertores, roncos e sibilos difusos. O paciente foi internado na enfermaria geral da pediatria e apresentou boa evolução respiratória, mas voltou a apresentar febre de 38,9 ̊C e irritabilidade no quinto dia da doença.Qual das imagens abaixo representa a complicação mais provável apresentada pelo paciente?
Lactente com infecção viral respiratória + febre/irritabilidade após melhora → suspeitar OMA.
A otite média aguda é uma complicação bacteriana comum de infecções virais do trato respiratório superior em lactentes. A reemergência de febre e irritabilidade após uma melhora inicial do quadro viral deve levantar forte suspeita de OMA, exigindo otoscopia.
A otite média aguda (OMA) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, especialmente em lactentes, e frequentemente se desenvolve como uma complicação de infecções virais do trato respiratório superior, como resfriados comuns ou bronquiolite. A epidemiologia mostra que a maioria das crianças terá pelo menos um episódio de OMA antes dos três anos de idade, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico na pediatria. A fisiopatologia da OMA envolve a disfunção da tuba auditiva, que se torna edemaciada e obstruída após uma infecção viral, impedindo a drenagem e ventilação do ouvido médio. Isso cria um ambiente propício para a proliferação bacteriana. O diagnóstico é clínico, baseado na otoscopia, que revela abaulamento da membrana timpânica, opacificação, hiperemia e perda de mobilidade. O tratamento da OMA geralmente envolve antibióticos, sendo a amoxicilina a primeira escolha. É crucial estar atento a sinais de alerta como febre persistente ou recorrente, irritabilidade e piora do estado geral após uma melhora inicial de um quadro viral, pois podem indicar uma complicação bacteriana. O manejo adequado previne complicações como perfuração timpânica, mastoidite ou perda auditiva.
Sinais incluem febre, irritabilidade, dificuldade para dormir, puxar ou esfregar a orelha, e, em alguns casos, secreção purulenta do ouvido.
Infecções virais causam inflamação e edema da tuba auditiva, prejudicando sua função de drenagem e ventilação, o que favorece a proliferação bacteriana no ouvido médio.
Os agentes bacterianos mais comuns são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae não tipável e Moraxella catarrhalis.
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