Otite Média Aguda Pediátrica: Quando Tratar com Antibióticos?

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 1 ano com quadro de irritabilidade, rinorreia hialina, tosse e febre há 1 dia, é atendido no ambulatório de pediatria. À otoscopia, o paciente apresenta discreta hiperemia na membrana timpânica direita, sem opacificação ou abaulamento. A oroscopia é normal. No contexto desse quadro apresentado, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Deve-se iniciar antibiótico de amplo espectro, associado a um inibidor de betalactamase.
  2. B) Deve-se iniciar antibiótico de amplo espectro, sem um inibidor de beta-lactamase.
  3. C) A melhor conduta é expectante, com analgesia por via oral, com reavaliação em 48 horas.
  4. D) Deve-se iniciar antibiótico bacteriostático.
  5. E) Deve-se iniciar corticoterapia oral associado à anti-histamínico de segunda geração.

Pérola Clínica

OMA: Hiperemia isolada da MT sem abaulamento/opacificação não é critério diagnóstico para iniciar ATB, conduta expectante é preferível.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Otite Média Aguda (OMA) requer a presença de efusão na orelha média (opacificação ou abaulamento da membrana timpânica) e sinais/sintomas de inflamação aguda. A hiperemia isolada da membrana timpânica, sem outros achados, é inespecífica e pode ser vista em infecções virais de vias aéreas superiores, não justificando o uso imediato de antibióticos.

Contexto Educacional

A Otite Média Aguda (OMA) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, sendo uma causa frequente de prescrição de antibióticos. É fundamental para o residente de pediatria dominar seus critérios diagnósticos e as indicações de tratamento. A distinção entre uma otite viral e uma bacteriana é crucial para evitar o uso desnecessário de antibióticos. O diagnóstico de OMA exige a presença de efusão na orelha média (evidenciada por abaulamento, opacificação ou nível hidroaéreo da membrana timpânica) e sinais de inflamação aguda. A hiperemia isolada da membrana timpânica, como no caso descrito, é um achado inespecífico que pode ocorrer em quadros virais de vias aéreas superiores e não é suficiente para o diagnóstico de OMA. A conduta expectante, com analgesia e reavaliação em 48-72 horas, é a abordagem preferencial em muitos casos de OMA não grave, especialmente em crianças maiores, para reduzir o uso desnecessário de antibióticos e a resistência bacteriana. A antibioticoterapia é reservada para casos graves, crianças menores de 6 meses, ou falha da conduta expectante.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Otite Média Aguda em crianças?

O diagnóstico de OMA requer a presença de efusão na orelha média (abaulamento ou opacificação da membrana timpânica) e sinais/sintomas de inflamação aguda, como otalgia, irritabilidade ou febre.

Quando a conduta expectante é apropriada para Otite Média Aguda?

A conduta expectante é apropriada para crianças maiores de 6 meses com OMA unilateral não grave ou crianças maiores de 2 anos com OMA bilateral não grave, desde que haja acompanhamento próximo e analgesia adequada.

A hiperemia da membrana timpânica isolada é suficiente para diagnosticar OMA?

Não, a hiperemia isolada da membrana timpânica é um achado inespecífico, comum em infecções virais de vias aéreas superiores, e não é suficiente para o diagnóstico de Otite Média Aguda ou para iniciar antibioticoterapia.

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