Otite Média Aguda: Quando Indicar Antibióticos em Crianças?

Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Uma criança de 4 anos foi levada ao pronto-socorro com queixa de otalgia bilateral que começou há menos de 48 horas. Ela está recebendo analgésicos conforme o horário, mas hoje, devido à piora da dor, náuseas e febre (com temperatura aferida de até 38,8 °C), sua mãe procurou atendimento médico. A mãe relatou que a criança teve sintomas de infecção das vias aéreas superiores nos últimos cinco dias, incluindo tosse e rinorreia. A paciente não possui histórico de comorbidades anteriores. O exame físico revelou os achados ilustrados na imagem abaixo.Com base no quadro clínico apresentado e em conceitos correlatos, julgue o item.Nesse caso, a administração de antibioticoterapia está indicada.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

OMA em >2 anos, sintomas leves/moderados e sem otorreia → Observação por 48-72h é opção.

Resumo-Chave

Em crianças acima de 2 anos com Otite Média Aguda não grave (febre <39°C e dor leve), a conduta inicial pode ser observação e analgesia, reservando antibióticos para falha clínica após 48-72h.

Contexto Educacional

A Otite Média Aguda (OMA) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, frequentemente precedida por uma infecção viral das vias aéreas superiores que causa disfunção da tuba auditiva. A tendência atual na pediatria é a redução do uso excessivo de antibióticos, baseada em evidências de que muitos casos de OMA em crianças maiores são autolimitados. O julgamento clínico deve ponderar a idade do paciente, a lateralidade da infecção e a intensidade dos sintomas sistêmicos. No caso apresentado, a criança de 4 anos com febre baixa e quadro recente permite a estratégia de 'espera vigilante'. O médico deve orientar a família sobre os sinais de alerta e garantir o acesso à medicação caso os sintomas persistam ou piorem após o período de observação.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para observação (watchful waiting) na OMA?

A estratégia de observação por 48 a 72 horas pode ser adotada em crianças entre 6 meses e 2 anos com OMA unilateral sem otorreia e sem sintomas graves, ou em crianças com 2 anos ou mais com OMA unilateral ou bilateral, desde que não apresentem sinais de gravidade. Sinais de gravidade incluem: otalgia moderada a grave, dor por mais de 48 horas, febre ≥ 39°C ou otorreia. Se a criança estiver estável e os pais forem confiáveis para o acompanhamento, inicia-se apenas analgesia e reavalia-se a necessidade de antibiótico se não houver melhora.

Por que a questão considerou a antibioticoterapia como 'errada'?

A criança tem 4 anos (pertence ao grupo >2 anos). Embora apresente febre (38,8°C) e otalgia, a temperatura está abaixo do ponto de corte de gravidade (39°C) e a dor começou há menos de 48 horas. Segundo as diretrizes da Academia Americana de Pediatria (AAP) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), para crianças nessa faixa etária com sintomas não graves, a observação inicial com analgésicos é uma conduta aceitável e recomendada para evitar o uso desnecessário de antibióticos e o desenvolvimento de resistência bacteriana.

Quando o antibiótico é obrigatório na OMA?

O uso de antibióticos é mandatório em: 1) Crianças de qualquer idade com OMA e otorreia; 2) Crianças com menos de 6 meses de idade; 3) Crianças entre 6 meses e 2 anos com OMA bilateral ou sintomas graves; 4) Crianças de qualquer idade que apresentem sinais de toxicidade, otalgia persistente por mais de 48h ou febre ≥ 39°C nas últimas 48h. Nesses casos, a Amoxicilina (80-90 mg/kg/dia) continua sendo a primeira escolha na ausência de fatores de risco para germes produtores de beta-lactamase.

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