SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Um lactente de 9 meses é levado ao pronto atendimento com febre (38,5 °C), irritabilidade e recusa alimentar há 48 horas. Ao exame otoscópico, a membrana timpânica está abaulada e hiperemiada. Ausência de secreção otorreica visível, não há sinais sistêmicos de gravidade e não há outra alteração no exame físico. Considerando as diretrizes atualizadas, qual é a conduta inicial mais apropriada?
OMA em < 2 anos com abaulamento ou febre → Antibioticoterapia imediata (Amoxicilina).
Em lactentes menores de 2 anos com sinais claros de abaulamento timpânico e sintomas sistêmicos, a conduta expectante não é recomendada devido ao risco de complicações e menor taxa de resolução espontânea.
A Otite Média Aguda (OMA) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, frequentemente precedida por uma infecção das vias aéreas superiores que causa disfunção da tuba auditiva. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na otoscopia que demonstra abaulamento da membrana timpânica, eritema e redução da mobilidade. As diretrizes atuais enfatizam a estratificação de risco baseada na idade e gravidade dos sintomas. Em lactentes jovens, a barreira imunológica é mais frágil e a anatomia da tuba auditiva favorece a persistência da infecção, tornando o tratamento imediato com amoxicilina a conduta padrão para evitar complicações supurativas como a mastoidite.
A antibioticoterapia imediata está indicada para todos os lactentes menores de 6 meses, crianças de 6 meses a 2 anos com diagnóstico de OMA confirmada (especialmente se houver abaulamento ou sintomas graves como febre alta e dor intensa), e em casos de otorreia ou doença bilateral em qualquer idade.
A amoxicilina em dose plena (80-90 mg/kg/dia) continua sendo a primeira escolha devido à sua eficácia contra o Streptococcus pneumoniae. Caso haja falha terapêutica em 48-72 horas ou uso prévio de antibiótico nos últimos 30 dias, deve-se considerar amoxicilina com clavulanato.
A conduta expectante (observação por 48-72h) pode ser considerada em crianças acima de 2 anos com sintomas leves, unilaterais e sem otorreia, desde que haja garantia de acompanhamento e reavaliação caso os sintomas persistam ou piorem.
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