Otite Média Aguda em Lactentes: Diagnóstico e Conduta

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026

Enunciado

Um lactente de 9 meses é levado ao pronto atendimento com febre (38,5 °C), irritabilidade e recusa alimentar há 48 horas. Ao exame otoscópico, a membrana timpânica está abaulada e hiperemiada. Ausência de secreção otorreica visível, não há sinais sistêmicos de gravidade e não há outra alteração no exame físico. Considerando as diretrizes atualizadas, qual é a conduta inicial mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Prescrever antibiótico imediatamente, preferencialmente amoxicilina, devido à idade e sinais clínicos compatíveis com otite média aguda.
  2. B) Optar por conduta expectante e prescrever analgésicos e anti-inflamatórios, pois a maioria dos casos se resolve espontaneamente.
  3. C) Solicitar timpanocentese e cultura, pois a confirmação etiológica é necessária antes de iniciar tratamento.
  4. D) Prescrever corticoide oral para reduzir o edema da tuba auditiva e analgésicos para aliviar os sintomas.
  5. E) Encaminhar para avaliação otorrinolaringológica urgente, dado o risco elevado de complicações nessa faixa etária.

Pérola Clínica

OMA em < 2 anos com abaulamento ou febre → Antibioticoterapia imediata (Amoxicilina).

Resumo-Chave

Em lactentes menores de 2 anos com sinais claros de abaulamento timpânico e sintomas sistêmicos, a conduta expectante não é recomendada devido ao risco de complicações e menor taxa de resolução espontânea.

Contexto Educacional

A Otite Média Aguda (OMA) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, frequentemente precedida por uma infecção das vias aéreas superiores que causa disfunção da tuba auditiva. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na otoscopia que demonstra abaulamento da membrana timpânica, eritema e redução da mobilidade. As diretrizes atuais enfatizam a estratificação de risco baseada na idade e gravidade dos sintomas. Em lactentes jovens, a barreira imunológica é mais frágil e a anatomia da tuba auditiva favorece a persistência da infecção, tornando o tratamento imediato com amoxicilina a conduta padrão para evitar complicações supurativas como a mastoidite.

Perguntas Frequentes

Quando indicar antibiótico imediato na OMA pediátrica?

A antibioticoterapia imediata está indicada para todos os lactentes menores de 6 meses, crianças de 6 meses a 2 anos com diagnóstico de OMA confirmada (especialmente se houver abaulamento ou sintomas graves como febre alta e dor intensa), e em casos de otorreia ou doença bilateral em qualquer idade.

Qual a primeira escolha de antibiótico na OMA?

A amoxicilina em dose plena (80-90 mg/kg/dia) continua sendo a primeira escolha devido à sua eficácia contra o Streptococcus pneumoniae. Caso haja falha terapêutica em 48-72 horas ou uso prévio de antibiótico nos últimos 30 dias, deve-se considerar amoxicilina com clavulanato.

Quando a conduta expectante é permitida?

A conduta expectante (observação por 48-72h) pode ser considerada em crianças acima de 2 anos com sintomas leves, unilaterais e sem otorreia, desde que haja garantia de acompanhamento e reavaliação caso os sintomas persistam ou piorem.

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