CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023
Clara, 8 meses, começou a frequentar a creche no 6º mês de vida, ao termino da Licença Maternidade de sua mãe. Há 7 dias, iniciou um quadro de coriza que inicialmente era hialina, evoluindo no 3º dia para esverdeada, tosse, irritabilidade, febre que durou cerca de 3 dias e posteriormente cedeu, persiste ainda tosse, coriza e inapetência. Ao exame, apresenta membrana timpânica direita abaulada e intensa hiperemia. Sem outras alterações. Qual seria a melhor conduta:
OMA em crianças < 2 anos com sinais de gravidade ou diagnóstico certo → Amoxicilina imediata é a conduta preferencial.
Em crianças menores de 2 anos, a Otite Média Aguda (OMA) deve ser tratada com antibioticoterapia imediata, sendo a amoxicilina a primeira escolha. A observação expectante, que pode ser considerada em crianças mais velhas ou sem sinais de gravidade, não é indicada para essa faixa etária devido ao maior risco de complicações.
A Otite Média Aguda (OMA) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, especialmente em lactentes e pré-escolares. A frequência de OMA aumenta com a entrada em creches, como no caso de Clara. O diagnóstico é clínico, baseado na otoscopia, que revela uma membrana timpânica abaulada, hiperemiada e com mobilidade reduzida, frequentemente acompanhada de sintomas como febre, irritabilidade e otalgia. A fisiopatologia da OMA geralmente envolve uma infecção viral das vias aéreas superiores que precede e predispõe à colonização bacteriana da orelha média. Os principais agentes etiológicos são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae não tipável e Moraxella catarrhalis. A decisão de tratar com antibióticos ou observar expectante depende da idade da criança, da gravidade dos sintomas e da certeza diagnóstica. Em crianças menores de 2 anos, como Clara, ou em qualquer idade com OMA grave (febre alta, otalgia intensa, otorreia), a antibioticoterapia imediata é recomendada. A amoxicilina é a droga de primeira escolha devido à sua eficácia e segurança. A dose usual é de 80-90 mg/kg/dia, dividida em duas ou três doses. O tratamento visa aliviar os sintomas, prevenir complicações como mastoidite e reduzir o risco de recorrências.
O diagnóstico de OMA requer a presença de efusão na orelha média (abaulamento da membrana timpânica, nível hidroaéreo, otorreia) e sinais de inflamação aguda (hiperemia, otalgia, febre).
A amoxicilina é eficaz contra os principais patógenos da OMA (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae não tipável, Moraxella catarrhalis) e possui bom perfil de segurança e tolerabilidade, sendo a escolha inicial.
A observação expectante pode ser considerada em crianças maiores de 2 anos com OMA unilateral sem otorreia e sem sinais de gravidade, ou em crianças de 6 a 23 meses com OMA unilateral sem otorreia e sem sinais de gravidade. Não é a conduta para lactentes jovens.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo