Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Lactente de 11 meses, sexo masculino, com febre (38 - 38,5ºC), tosse, coriza e recusa alimentar. Não tem doenças de base e nunca fez uso de antibióticos. No exame físico, estava em bom estado geral, eupneico, com hiperemia de orofaringe. A otoscopia apresentava abaulamento da membrana timpânica bilateralmente. Para esse paciente, a conduta mais adequada é:
OMA em lactentes < 2 anos ou com abaulamento → Amoxicilina 80-90 mg/kg/dia é a 1ª escolha.
O diagnóstico de OMA requer abaulamento da membrana timpânica. Em lactentes, a conduta expectante é arriscada; a amoxicilina permanece o padrão-ouro independente do status vacinal.
A Otite Média Aguda (OMA) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, frequentemente precedida por uma infecção viral de vias aéreas superiores que causa disfunção da tuba auditiva. A fisiopatologia envolve a colonização da nasofaringe e a ascensão de patógenos para o ouvido médio, onde a estase de secreções favorece a proliferação bacteriana. O manejo adequado é crucial para prevenir complicações como mastoidite e perda auditiva crônica. As diretrizes atuais enfatizam o uso de doses otimizadas de amoxicilina para superar mecanismos de resistência bacteriana. A decisão entre observação e tratamento imediato depende da idade do paciente, da gravidade dos sintomas e da lateralidade da infecção. Em lactentes jovens, a progressão rápida da doença justifica uma abordagem mais assertiva com antibioticoterapia precoce, garantindo a cobertura contra o pneumococo.
O critério clínico mais importante para o diagnóstico de Otite Média Aguda (OMA) é o abaulamento da membrana timpânica, que indica a presença de efusão purulenta sob pressão no ouvido médio. Outros sinais como hiperemia intensa e otalgia súbita corroboram o diagnóstico, mas o abaulamento possui maior valor preditivo positivo. A otoscopia pneumática, embora ideal para avaliar a mobilidade da membrana, muitas vezes é substituída pela visualização direta do abaulamento em contextos de urgência pediátrica, sendo o sinal patognomônico da inflamação aguda com efusão.
Embora as vacinas pneumocócicas conjugadas (VPC10/VPC13) tenham reduzido drasticamente a incidência de doenças invasivas e OMA por sorotipos específicos, o Streptococcus pneumoniae continua sendo um dos principais agentes etiológicos da OMA, junto com o Haemophilus influenzae não tipável e a Moraxella catarrhalis. A amoxicilina em doses elevadas (80-90 mg/kg/dia) é eficaz contra a maioria das cepas de pneumococo com resistência intermediária à penicilina, mantendo-se como a droga de primeira linha devido ao seu perfil de segurança, baixo custo e espectro direcionado aos patógenos mais comuns.
A observação por 48-72 horas sem antibióticos pode ser considerada em crianças acima de 2 anos, com sintomas leves (dor leve, febre < 39°C) e quadro unilateral, desde que haja garantia de acompanhamento próximo. No entanto, em lactentes menores de 6 meses, o tratamento antibiótico é sempre imediato. Entre 6 meses e 2 anos, como no caso clínico apresentado, a presença de sintomas sistêmicos ou quadro bilateral (como o abaulamento bilateral citado) geralmente impõe o início imediato da antibioticoterapia para evitar complicações supurativas e garantir a resolução do quadro.
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