MedEvo Simulado — Prova 2026
Um lactente de 18 meses, previamente hígido, é levado à Unidade de Pronto Atendimento com história de febre de 38,5 °C há 48 horas, acompanhada de irritabilidade e manipulação frequente da orelha direita. A mãe relata que a criança apresentou coriza hialina e tosse leve nos dias anteriores. Ao exame físico, o paciente apresenta-se em bom estado geral, porém reativo ao toque. A otoscopia pneumática revela membrana timpânica à direita com abaulamento moderado, coloração hiperemiada, opacidade e mobilidade significativamente reduzida. À esquerda, a membrana timpânica está íntegra, com brilho preservado e sem abaulamentos. Não há sinais de mastoidite ou outras complicações. O peso da criança é 12 kg. Diante do quadro clínico apresentado, qual é a conduta terapêutica mais adequada?
Abaulamento moderado/grave da MT + febre/otalgia → OMA. Tratamento: Amoxicilina 80-90 mg/kg/dia.
O diagnóstico de OMA requer abaulamento da membrana timpânica. Em lactentes < 2 anos com quadro bilateral ou sinais de gravidade, o tratamento imediato com Amoxicilina é mandatório.
A Otite Média Aguda (OMA) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, frequentemente precedida por uma infecção viral de vias aéreas superiores que causa disfunção da tuba auditiva. O diagnóstico é clínico, baseado na otoscopia que demonstra abaulamento da membrana timpânica, indicando efusão purulenta sob pressão no ouvido médio. A conduta em lactentes de 18 meses com abaulamento moderado e febre envolve a antibioticoterapia imediata. A Amoxicilina permanece como primeira linha devido ao seu espectro de ação contra o pneumococo e excelente penetração no fluido do ouvido médio. A falha terapêutica após 48-72h pode sugerir patógenos produtores de beta-lactamase, indicando a escalada para Amoxicilina com Clavulanato.
A observação vigilante (wait-and-see) por 48-72h pode ser considerada em crianças > 6 meses com OMA unilateral não grave (dor leve, febre < 39°C) e sem otorréia, desde que haja garantia de acompanhamento. No entanto, em lactentes < 2 anos com sintomas claros ou em casos de OMA bilateral, o início imediato do antibiótico é geralmente preferido para evitar complicações supurativas.
A dose padrão recomendada pelas diretrizes da SBP e AAP é de 80 a 90 mg/kg/dia, dividida em duas doses diárias. Essa dose elevada visa superar a resistência de cepas de Streptococcus pneumoniae com proteínas de ligação à penicilina (PBPs) alteradas. O tempo de tratamento em menores de 2 anos deve ser de 10 dias.
Os principais agentes etiológicos bacterianos são o Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae não tipável e Moraxella catarrhalis. Com a vacinação pneumocócica conjugada, houve uma mudança epidemiológica, aumentando a prevalência relativa de H. influenzae, embora o pneumococo continue sendo o agente mais associado a complicações.
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